quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

FORMALIZAÇÃO IDEOLÓGICA............




....nas crenças e limites da Espiritualidade, da Ciência e do Ateísmo. Em caos e ordem, relatividade de um todo.







Por: Irm.: ASNA


O dever nada mais é, na sua origem, do que o reflexo do Universo no átomo - Pierre Teilhard de Chardin.



Introdução
O texto que se segue é de sentido pessoal, apesar ter como influências varias referencias, não faz partidarismo às ideologias aqui citadas, a não ser da sua visão a respeito da significante importância das diversidades ideológicas.


Os seguintes escritos intencionam expor criticas, construir, e desconstruir Ideias. Embasados na tese de que a natureza humana, subjetivamente, esta naturalmente familiarizada com os processos externos e internos de seu próprio meio, e motivada/alimentada por uma força primitiva que filtra-se e se condessa em uma estrutura impulsiva de ações e reações a nível da psique, na qual especificamente nesse texto, denominamos de Formalização Ideológica-F.I.


Tendo em vista ou não essa Formalização, o autor acredita que o necessário é o uso construtivo de valores aos quais ainda aderimos ou ao menos citamos. Tais como o respeito, a tolerância, e o tão misterioso e incompreendido amor universal. Respaldamos aqui também os direitos e deveres vigentes na sociedade da qual integramos. Valores esses, que se estabelecem e transcende até mesmo seus próprios conceitos.


A Formalização Ideológica Espiritualista, Ateísta, e Social.
A F.I é desencadeadora de ações e reações tanto em perímetros inconscientes como conscientes; É um dos muitos componentes da estrutura mental do Ser. Possivelmente a F.I se faz presente no mundo desde tempos remotos; esse impulsionismo reativo estrutural é a base que leva a organizar e desorganizar as culturas; agente do caos e da ordem; incitador dos processos construtivos e dês-construtivos em todos os aspectos da manifestação da existência humana; e que se expressa visivelmente na espiritualidade, ciência, filosofia, e na quebra cíclica da própria ideologia formalizada.


Encontramos tais evidencias quando uma parcela significante das bases científicas defende que a religião e a espiritualidade são pura crença e fé em algo não palpável; e que a existência movimento e o curso da natureza é resultado de fatores físicos e químicos que se enquadram em uma naturalidade que não convêm diretamente com as ações de uma suposta força criadora tida por divina identificada por deus. Já a própria ciência se divide em uma variável gama de ramificações em que muitas vezes se contradizem a respeito de suas pesquisas. Eis seus naturais limites, possivelmente herdados das bases da filosofia de outrora, dos pré-socráticos, neoplatônicos, etc. No montante ideológico científico encontraremos teoria do Big Bang; A física pela ótica de Newton; quântica; teoria das Cordas; relatividade exposta por Einstein; a não-relatividade por parte de seus questionadores; e até mesmo buracos de minhoca que são posto em duvidas pelo seu próprio descobridor. Também pode-se disser que a F.I. é a principal formadora do dogmatismo, comumente encontrado nas massas e minorias.


Para melhor expor tal tese, tomemos por exemplo, três meios/grupos distintos que compõem a quase totalidade do gênero ideológico social humano, e que são sujeitos de seus dogmas filhos da Formalização Ideológica:


· Espiritualistas;
· Científicos;
· Ateístas;


Através da aparente similaridade em relação a Formalização Ideológica, podemos encontrar outro possível e significante aspecto, de que a ciência e a espiritualidade juntamente com o ateísmo são análogas, não idênticas, mas com causas motivadoras em comum. As mesmas são movidas por uma necessidade em algo até agora não solucionado pela razão humana, em que as levam a uma infinita busca por um futuro que não chega a um presente. Tendo em evidencias diferenças que caracterizam umas das outras. Por exemplo:


A Espiritualidade, em seu cernem, tendo por referências antropológicas, e demais, não se refere necessariamente a crenças cegas e irracionais, mas sim em uma fé alimentada por experiências e também pesquisas constantes feitas através dos processos psicossociais do ser humano e das analogias que permeiam o seu meio. Uma analise profunda, introspectiva sobre o microcosmo homem (Criatura), o macrocosmo universo (Natureza) e o arquétipo de algo divino que seria o mistério motivador dessas conjecturações (Creador). Se dentro dessa configuração ideológica da espiritualidade existem divagações com nexos duvidosos ou mesmo fantasiosos, talvez seja somente uma contraparte natural da própria formatação existencial estabelecida pelo homem em que muitos denomina de dualidade; Isso dentro de nossas possibilidades relativamente existe por nosso consentimento, no caso, a dualidade que se manifesta perante nossa cadeia existencial é fruto de nossa própria essência. A necessidade de um dois para sabermos o que é o um; ou de um mal para termos uma noção do bem, ou do complexo para a obviedade do simples.


A Ciência por sua vez, procura através das configurações resultantes da problematização das variáveis do pensar e dos limites estabelecidos pela razão, solucionar algo ou ir alem das barreiras impostas por suas próprias questões; Achar a chave que abre as portas de todas as possibilidades, não sei se seria demais crer que as pesquisas feitas pela convencional ciência acadêmica é voltada para a busca do estado de super homem; mas, ao menos encontramos em suas empreitadas a visível impressão de que a mesma intenciona por a prova a existência de um todo, de sua organização e de seus porquês, através de uma racionalidade, descartando qualquer teoria que meramente se justifique no plano das idéias. Essa formalização ideológica estabelecida é motivada por uma demanda de solucionar o mistério da vida, da existência. Talvez, ou não, quando essa utópica solução for encontrada o ser humano pare de pensar, criar, sentir, e existir.


O Ateísmo, em contextos variados sustenta a Crença (termo contraditório para sua própria natureza) na não existência de um principio divino creador, ou força mística que gerou a tudo; levando-nos em determinadas situações a pensar que o mesmo é um aspecto dual da credlogia e do sectarismo espiritualista, apoiado pelas facetas disformes de varias formalizações cientificas. Mesmo assim, não é descartada sua razão de ser, da mesma forma que as demais citadas (Espiritualidade, e Ciência); todas têm sua funcionalidade e compreensão na cadeia existencial variada da humanidade; são complexos que se enquadram na estrutura mental do ser, e que manifestam-se de acordo com fatores internos e externos; a ligação do micro com o macro, da pluralidade que expressa a unidade.


Com essa gama de Complexos, sugerimos a seguinte pergunta para foco da problematização exposta: O que importa para você afinal de contas?


E para melhor se entender o tema em questão, sugerimos a nossa própria ideologia formalizada: Vislumbramos que o estado das coisas (no humano e universal) e sua aparente dança cósmica não necessita de um sentido ou razão de existir; mas o ser humano enquanto produto (e produtor) desse meio, identificando-se com a alcunha de ser social e pensante, cria, ou melhor, modela esses terrenos, para uma satisfação e auto afirmação de sua estrutura existencial, que diante de tudo pode aparentemente se destacar por apresentar a mínima noção de raciocínio.


Em meios a essas tantas verdades não verossímeis, se apresenta a marcante colocação de Shekspeare:


“Entre o céu e a terra há muitas coisas das quais não se sabe nossa vã filosofia”(Hamlet – Dialogo entre Hamlet e Horácio).


Concluindo, fazemos apologia à importância e pratica do respeito a essa diversidade, seja ela complexa ou simplista, alienativa ou libertaria; cabe a cada um o papel de seu próprio despertar, e a nós o dever talvez de mostrar as possibilidades ao alcance, através de muitos caminhos que de uma forma ou de outra compreende a formalização ideológica. Independente de nosso consentimento, tendo em evidencias essas variáveis, nosso ser e a suposta realidade do coletivo a unidade, produz/cria, e manifesta: doenças, problemas, complexos, soluções, mestres, maldiçoes, salvações, perdições, questionamentos, bem, mal, arquétipos, deuses, ciências, e tantas outras coisas que possivelmente ou não, integram forças que permeiam um todo.


EX DEO NACIMUR , IN JESU MORIMUR , PER SPIRITUM SANCTUM REVIVISCIMUS



PAX ET LVX

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O CRISTIANISMO ESSENCIAL - I




Por: Irm.: A.S.N.A


Debruçando-nos sobre a temática do Cristianismo em contraste com as instituições que alegam autoridade sobre sua natureza, creio ser significante importância a analise de um texto celebre, de autoria de um dos maiores místicos que trabalhou em prol de um Cristianismo Essencial transcendente a qualquer mensuração profanamente humana concebida por pessoas que assumiam (assumem) títulos de sacerdotes, doutores, padres, pastores, etc.

Essa essência cristã a qual nos referimos é algo incontido por qualquer casca dogmática sectária que se apoie em seu termo, tendo em vista não ver como se apoiar em sua coluna espiritual, a real Trindade. Cogitações tão falhas, apenas concebidas para aproximar o profano humano do sagrado , ou melhor, o que caiu rumo ao berço de onde advêm. Abrindo caminho para o texto que se segue, supomos que o mesmo irá evidenciar algumas dentre as muitas diferenças entre a Essência Cristã e as fantasias institucionalizadas que na maioria dos casos profanam a sagrada Força do Creador.

Desejamo-lhes uma proveitosa leitura.

PAX ET LVX

O CRISTIANISMO E O CATOLICISMO OU IGREJISMO

(Extraído do Livro: O Ministério do Homem Espírito, de Louis Claude de Saint Martin)

"A principal reprovação que apresento contra eles é que a cada passo, confundem Cristianismo com a Igreja (Catolicismo). Vejo frequentemente, célebres mestres literários atribuírem à religião obras de famosos Bispos que muitas vezes se desviam enormemente do espírito do Cristianismo. Vejo outros num momento, sustentarem a necessidade dos mistérios (sacramentos, etc.) em outro, tentarem explicá-los afirmando, mais uma vez que a demonstração de Tertuliano sobre a trindade pode ser compreendida até pelos mais simples. Vejo como se vangloriam da influência do Cristianismo na poesia, ainda que concordem em alguns casos, que a poesia se alimente do erro! Vejo como se desorientam com relação aos números rejeitando, com razão, as especulações fúteis que emergiram do abuso desta ciência, afirmando que o três não é engendrado, que segundo a expressão atribuída à Pitágoras, este número deve existir sem uma mãe, enquanto que a geração de nenhum número é mais evidente que a geração do número três; o dois é claramente sua mãe, em todas as ordens, natural, intelectual ou Divina; a diferença é que na ordem natural, esta mãe engendra a corrupção, assim como o pecado engendrou a morte; na ordem intelectual, engendra variabilidade, como podemos observar pela instabilidade de nossos pensamentos; na ordem Divina, engendra a fixidez, com é reconhecida na Unidade Universal. Em resumo, apesar do brilhante efeito que suas obras possam produzir, não consigo encontrar aquele alimento substancial que a inteligência exige, a saber, o verdadeiro espírito do Cristianismo, encontro, sim, o espírito do Catolicismo. Ora, o verdadeiro Cristianismo é anterior, não só ao Catolicismo, mas ao próprio nome Cristianismo que não é encontrado nos Evangelhos, embora o espírito deste nome esteja bem claramente expressado e consiste, de acordo com João (I.12) no poder de se tornarem filhos de Deus ; o espírito dos filhos de Deus, ou dos Apóstolos de Cristo, que acreditaram nele, é mostrado, segundo Marcos (XVI. 20) pelo Senhor agindo com eles e confirmando a Palavra por meio dos sinais que a acompanhavam.

Neste ponto de vista, estar verdadeiramente no Cristianismo, seria estar unido com o Espírito do Senhor e ter completado ou consumado nossa aliança com Ele.
A este respeito, o verdadeiro caráter do Cristianismo não seria tanto o de se tornar uma religião e sim o de ser um termo e ponto de repouso de todas as religiões e de todos aqueles laboriosos caminhos pelos quais a fé dos homens e suas necessidades de serem purificados de suas manchas, os obrigam a caminhar diariamente. É notável que, em todos os quatro Evangelhos, fundados no Espírito do verdadeiro Cristianismo, a palavra religião não é encontrada nem uma só vez; e nos escritos dos Apóstolos, que completaram o Novo Testamento é encontrada somente cinco vezes. A primeira vez que a palavra religião aparece é em "Atos dos Apóstolos" (XXVI.5 [da versão inglesa; também, Gl.I.13,14]) quando se fala da religião judaica. A segunda vez é em Colossenses (II.18) quando o Apóstolo casualmente condena o culto aos anjos. Na terceira e quarta vez, aparece em São Tiago (I.26,27) onde ele diz simplesmente: "Se alguém pensa ser religioso, mas não refreia a sua língua, antes se engana a si mesmo, saiba que a sua religião é vã", e "A religião pura e sem mácula diante de Deus, nosso Pai, consiste nisto: em assistir os órfãos e as viúvas em suas tribulações e em guardar-se livre da corrupção do mundo"; estes são exemplos em que o Cristianismo parece se inclinar mais à sua sublimidade Divina ou condição de repouso, do que se revestir daquilo que costumamos chamar de religião. Portanto, há diferenças entre Cristianismo e Catolicismo: Cristianismo nada mais é do que o espírito de Jesus Cristo em sua amplitude, depois que este terapeuta Divino escalou todos os passos de sua missão, que teve início com a queda do homem, quando prometeu que a semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente. O Cristianismo é o complemento da pregação de Melchisedek; é a alma do Evangelho; o Cristianismo faz com que as águas vivas, de que as nações têm tanta sede, circulem no Evangelho. O Catolicismo (a Igreja), ao qual pertence o título de religião, é uma espécie de esforço e tentativa de se chegar ao Cristianismo. O Cristianismo é a religião da emancipação e da liberdade, o Catolicismo é apenas o seminário do Cristianismo, a região das regras e disciplina para o neófito. O Cristianismo enche toda a terra com o Espírito de Deus. O Catolicismo enche apenas uma parte do globo embora se intitule universal.

O Cristianismo eleva nossa fé à luminosa região do Verbo Divino e Eterno; O Catolicismo limita esta fé à palavra escrita ou tradição. O Cristianismo nos mostra Deus abertamente, no centro de nosso ser, sem o auxílio de formas e fórmulas. O Catolicismo nos deixa em conflito com nós mesmos, pois quer que encontremos Deus oculto nas cerimônias. O Cristianismo não tem mistérios; esta palavra é repugnante para ele pois, essencialmente, o Cristianismo é a própria evidência, a nitidez universal. O Catolicismo é repleto de mistérios e seu fundamento é velado. A esfinge pode ser colocada na entrada dos templos, tendo sido feita pelas mãos dos homens; não pode ser posicionada no coração, que é a real entrada do Cristianismo. O Cristianismo é a fruta da árvore, enquanto que o Catolicismo só pode ser o adubo. O Cristianismo não faz nem monastérios e nem eremitas, porque não pode se isolar mais do que pode a luz do sol e porque, como o sol, procura brilhar em todo lugar. O Catolicismo povoou os desertos com solitários e encheu as cidades com comunidades religiosas; no primeiro caso, para que pudessem se dedicar com mais facilidade à sua própria salvação, no segundo caso, para apresentar ao mundo corrupto algumas imagens de virtude e piedade a fim de despertá-lo de sua letargia. O Cristianismo não tem secto, já que embarca a unidade e esta sendo única, não pode ser dividida.

O Catolicismo tem presenciado uma multiplicidade de cismas e sectos brotando em seu seio, o que propiciou o reino da divisão ao invés do reino da concórdia; o Catolicismo, mesmo acreditando ocupar o mais alto degrau de pureza, dificilmente encontra dois de seus membros que pensam da mesma forma. O Cristianismo nunca deveria ter realizado as Cruzadas: a cruz invisível que carrega em seu seio não tem outro objetivo senão o alívio e felicidade de todas as criaturas. Foi uma imitação falsa do Cristianismo, para não dizer outra coisa, que inventou as Cruzadas; o Catolicismo a adotou posteriormente: mas, o fanatismo as comandaram: o Jacobinismo as compuseram, a anarquia as dirigiram e o banditismo as executaram.
O Cristianismo só declarou guerra contra o pecado; O Catolicismo declarou guerra contra os homens. O Cristianismo só marcha pela experiência segura e contínua; O Catolicismo marcha apenas pela autoridade e pelas instituições ; O Cristianismo é a lei da fé; O Catolicismo é a fé da lei. O Cristianismo é a completa instalação da alma do homem no rangue de ministros ou servos do Senhor; O Catolicismo limita o homem ao cuidado de sua própria saúde espiritual. O Cristianismo contínuo une o homem a Deus, já que são, por natureza, dois seres inseparáveis; o Catolicismo, ainda que use a mesma linguagem, alimenta o homem unicamente com meras formas e isto faz com que ele perca de vista o seu real objetivo e adquira muitos hábitos que nem sempre contribuem para seu benefício ou para um real progresso.

O Cristianismo baseia-se no Verbo oral, não escrito, o Catolicismo baseia-se no Verbo escrito ou Evangelho em geral e na massa em particular. O Cristianismo é um ativo e perpétuo sacrifício espiritual e Divino, tanto da alma de Jesus Cristo como da nossa própria alma; o Catolicismo que se baseia particularmente na massa, apresenta unicamente um sacrifício ostensivo do corpo e do sangue do Redentor. O Cristianismo pode ser composto apenas pela raça santa do homem primitivo, a verdadeira raça sacerdotal. O Catolicismo, baseando-se particularmente na massa, foi como a última Páscoa do Cristo, um mero degrau iniciador deste sacerdócio, pois quando Ele disse a seus discípulos "Façam isto em minha memória" eles já haviam recebido o poder de expulsar os espíritos malignos, curar doentes e ressuscitar os mortos; mas ainda não tinham recebido o que era mais importante para o cumprimento do sacerdócio já que a consagração de um padre consiste na transmissão do Espírito Santo e o Espírito Santo ainda não havia sido dado porque o Redentor ainda não havia sido glorificado (João VII.39).
O Cristianismo se torna uma contínua luz crescente a partir do momento em que a alma do homem é nele admitida; o Catolicismo que fez da Santa Ceia o ponto mais alto e sublime de seu culto, permitiu que um véu fosse jogado sobre esta cerimônia introduzindo até mesmo, como disse anteriormente, na liturgia da missa, as palavras Mysterium Fidei, que não estão no evangelho e são contrárias à luz universal do Cristianismo. O Cristianismo pertence à eternidade; o Catolicismo pertence ao tempo. O Cristianismo é o termo; o Catolicismo, com toda a majestosa imposição de suas solenidades e a sagrada grandiosidade de suas orações é apenas o meio. Finalmente, é possível que haja muitos católicos, que ainda, sejam incapazes de julgar o que é o Cristianismo; mas é impossível para um verdadeiro cristão não ser capaz de julgar o que o Catolicismo é e o que deve ser." - (Louis Claude de Saint Martin; O Ministério do Homem Espírito).


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REFERÊNCIAS:

Saint Martin,
Louis-claude de – O MINISTÉRIO DO HOMEM ESPIRITO, Ed. AMORC, ano 1994;

S.C.A: http://www.sca.org.br/artigos/Cristianismo_e_Catolicismo.pdf.


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

PAPUS(1865 – 1916) - 95 anos da morte do ‘Médico da Primeira Hora’



Por. Irm.'. ASNA
“Acusados de ser demônios por uns, clérigos por outros, magos negros ou alienados pela multidão, permaneceremos simplesmente Cavaleiros ferventes do Cristo, inimigos da violência e da vingança; sinarquistas convictos, opostos a toda anarquia de cima ou de baixo, em uma palavra: permaneceremos Martinistas” –
(Papus. Martinesismo, Willermosismo, Martinismo e Franco Maçonaria, Trad. S.C.A).


Introdução
Nesse ultimo dia 25 de outubro de 2011, fizeram-se 95 anos da transição do ilustre mestre Dr. Gérard Encausse conhecido nos meios ocultistas pelo nome iniciático de Papus (1). Rendendo saudosa homenagem a pessoa que outrora foi, um dos grandes magistas, e propagador das ciências esotéricas que o mundo já teve, apresentamos um simples resumo de sua vida e obra. Deixo evidenciado que tal conteúdo trata-se de uma síntese de biografias escritas por verdadeiros estudiosos da vida de Papus e do martinismo. Não alego a minha autoria tal empreitada, a única coisa que arrisco apresentar (e que considero pobre diante da magnitude de outros escritos), é uma proposta em sequencia dinâmica, de relatos atribuídos a vida desse ilustre mestre/irmão, por achar que os mesmos são fonte de referência a cultura esotérica e a seu desenvolvimento até os dias de hoje.



I - Nascimento
Gérard Anaclet Vincent Encausse, esse era o nome de batismo do celebre Medico, Cirurgião, Químico, Alquimista, Alopata, Homeopata, Hipnólogo, Taumaturgo, Astrólogo, Quiromante, Cabalista, Maçon, Martinista, Rosa+cruz, Hermétista, e etc. que atendia pelo pseudônimo de Papus. O Doutor Encausse nasceu às sete horas da manha do dia 13 de julho de 1865 em La Coruña, uma cidade da comunidade autônoma da Galiza e capital da província do mesmo nome, localizada no noroeste da Espanha; região onde Pedro o cruel desposou Branca de Bourbon, e onde morreu Cristóvão Colombo.
Sol em câncer, ascendente em leão, e lua em capricórnio; Gerad veio a demostrar com o tempo um dinamismo típico de um ser que com trígono de fogo entre o ascendente, júpiter e netuno, era tendenciosamente inspirado e criativo para as ciências do espirito. Filho do químico Frances Louis Encausse, e da Senhora Irene Perez, originaria da província de Valladolid na Espanha, de descendência Cigana. Foi devido a essas raízes familiares que muitos atribuíram ao menino Encausse uma predisposição as ciências alquímicas e advinhatórias.


II – Juventude, formação, e atuação
Devido a questões financeiras e tendo como intuito uma boa educação para seu filho, o Senhor Louis Encausse com sua esposa e filho no ano de 1869 foram estabelecer residência em Paris no badalado bairro de Montmartre. Os Encausse’s residiram em muitos lugares do popular bairro Boêmio de Paris, mas de acordo com alguns registros a ultima rua em que fixaram residência foi na casa 16 da Rua Rodier. Montmartre, um dos bairros mais antigos da “Cidade Luz”; em seus primórdios destinava-se a ser um lugar de culto, consagrado à figura de São Dionísio; com o passar dos tempos já no inicio de 1860, após o bairro ser oficialmente ligado a cidade, e ser fortemente influenciado pelo movimento Romancista de época, o mesmo se tornou um ponto de encontro das mais variadas personalidades. Importantes artistas; intelectuais; Pintores como Monet, Van Gogh, e Renoir frequentaram o lugar contribuindo com o clima multicultural de Paris. Alem das mais simbólicas figuras ligadas ao Ocultismo; Alquimia; a mística poética; e a consagrada literatura francesa; tais como Victor Hugo, Alexandre Dumas, Gustave Flaubert, e Júlio Verne(2).
Nesse clima efervescente, o jovem Papus foi ter seus primeiros passos educacionais no Colégio Rollin (hoje conhecido como liceu Jacques Decour, onde também estudou o pintor Manet). No ano de 1877 no dia 26 de abril Iniciou-se ao grau da Primeira Eucaristia(3) na igreja de Saint-Pierre de Montmartre, nesse mesmo ano obteve seu certificado de estudos primários; já em junho de 1881 recebeu o certificado de estudos de gramática, e aos 17 anos, dotado de boas referencias matriculou-se na Faculdade de Medicina de Paris, ligada a uma das mais antigas e importantes instituições de ensino da Europa (a Universidade de Paris fundada no século XI). Na faculdade foi bem sucedido em um concurso do externato e se tornou chefe de laboratório do Dr. Luys, o rival de Charcot. E recebeu a medalha de bronze da assistência publica em 1889, atuando como externo nos hospitais Parisienses. Nunca abandonou o exercício da medicina, sendo nomeado oficial de saúde em 1891. No serviço militar foi regularmente atuante até o ano de 1889, e durante a primeira guerra mundial militou como capitão-médico das tropas francesas.
No dia 07 de junho de 1894, foi reconhecido quando defendeu sua tese a ‘Anatomia Filosófica e Suas Divisões’, e consagrado catedraticamente como Doutor em Medicina. Após, assinando enquanto Doutor Gerard Encausse publica a obra ‘Compêndio de Fisiologia Sintética’. Igualmente muito elogiada nos meios acadêmicos. Em seguida, viajou por diversos países do mundo (Bélgica, Inglaterra, Holanda, Espanha, Rússia, Alemanha), praticando regularmente a medicina, e expondo suas teses. Seu Compêndio de Fisiologia Sintética foi muito bem aceito nesses países, e o jovem Doutor foi considerado por seus contemporâneos como um médico excelente.
Estudou e praticou a alopatia, a homeopatia, o magnetismo e a hipnose, realizando curas consideradas extraordinárias por seus biógrafos. Afirmavam que Papus, para efetuar o diagnóstico, observava em primeiro lugar o corpo astral do doente, depois o curava misteriosamente, apelando à força vital-mãe, fonte de equilíbrio. Ele classificava as doenças como sendo advindas do Corpo, do Astral e do Espírito. Assim, Papus praticava seguidamente a Medicina Oculta, e realizava diagnósticos agindo pelos dons da clarividência e de clariaudiência. Um caso tido por extraordinário e comentado por Edmundo Cardilo na Introdução a edição brasileira do seu ‘Tratado Elementar de Ciências Ocultas (Traitê Élementaire de Science Occulte)’ publicado pela Editora Três,1973; foi a da contemplação do retrato de uma bela mulher, misteriosa e elegante, que se encontrava no atelier de seu amigo pintor e místico Guillonnet(4). Papus, antes mesmo de perguntar pela identidade daquela dama toda de negro, pressentiu que ela causaria luto e ruínas. Depois, após um momento de concentração, concluiu que ela padeceria tragicamente. Para o espanto de seu amigo Guillonet, a profecia de Papus cumpriu-se pouco tempo depois. No dia 15 de outubro de 1917 os franceses fuzilaram a famosa agente H-25, da polícia secreta de Berlim, conhecida pelo pseudônimo de Mata-Hari, cujo retrato Papus Analisara.
Muitos casos extraordinários são atribuídos a sua pessoa, mas para não nos alongarmos enfadonhamente em suposições, deixemos a maioria dessas estórias para suas varias biografias. Pois a principal proposta desse texto é relatar de forma simples a vida histórica, seus trabalhos, escritos, e como o mestre contribuiu para com a senda iniciática.


III– O Envolvimento com o Oculto
Durante sua juventude, enquanto muitos de seus contemporâneos, e amigos de curso se preocupavam com questões políticas, o jovem aprendiz de medicina, destinava-se nas horas vagas ao estudo do Oculto, e a seus aspectos caracterizados nas temáticas do hermetismo, da alquimia, cabalah, magia, fenômenos espíritas, e etc. Se pudéssemos viajar em corpo físico para o passado, seria comum encontrarmos em tardes de verão ou outono na Biblioteca Nacional de Paris ou na do Arsenal, um jovem robusto com tez dotada de traços marcantes (maçãs do rosto arredondadas; olhos puxados, negros jabuticaba; cabelos crespos e finos), compenetrado em livros relacionados à alquimia, cabalah, e magia. O jovem Gérad passava dedicadamente muitas horas tomando notas dos principais manuscritos e documentos zelosamente guardados por séculos nessas preciosas bibliotecas.


IV- Via iniciática, o codinome Papus
Ainda com 17 anos em 1882, segundo relatos do mesmo, e de seu filho (Dr. Philippe Encausse), o jovem Encausse conhece a figura misteriosa de Henri Delaage; ocultista advindo de uma linhagem iniciática estruturada nas bases teosóficas dos escritos e trabalhos de Louis Claude de Saint-Martin – “O filosofo Desconhecido”. Delaage, ao reconhecer a seriedade do estudante de medicina, e prevendo a própria transição, lhe confere a iniciação na Sociedade dos Filósofos Desconhecidos. Essa ordem teria sido fundada por Louis Claude de Saint-Martin no século XVIII, na França, e sua doutrina era influenciada pelos ideais de seu mestre Martinez de Pasqually e pela senda cardíaca revelada pelo o místico alemão Jacob Boehme (de forma póstuma, através de seus escritos).
Alguns pesquisadores (dentre eles Jean-Claude Frère em sua obra ‘Vida e Mistérios dos Rosa+cruzes’, ed. Pensamento, SP.1986) defendem que foi a partir dessa iniciação e após uma reflexão profunda a respeito da tradução realizada por Levi de uma versão do ‘Nuctemeron’ de Apolônio de Thiana que o medico Encausse adotou o pseudônimo de Papus(1), nome atribuído a uma entidade espiritual (gênio, anjo, espírito, Daimon) ligada à medicina, a cura e a terapia. Um Gênio curador da(s) primeira(s) hora(s).





V – O Ressurgimento do Martinismo
Em 1882, Augustin Chaboseau, homem de linhagem Bretã, poliglota dotado de uma extraordinária memória, Doutor em Letras, e na época bibliotecário do Museu Guinet, em companhia dos místicos, Jean Moréas, e Charles Maurras, conheceram Papus, e através de ideais em comum (Politica, Ocultismo, Magia, Ciências Herméticas, etc.), desenvolve-se uma cordial amizade que se perpetuava através de um costume de almoçarem juntos todas as terças feiras num pequeno restaurante da Rive Gauche, que ficava a margem esquerda do Rio Sena. Foi justamente nesse cenário, falando de tudo e de todos, que por acaso (?)(5), Papus e Chaboseau descobriram serem ambos herdeiros legítimos da tradição doutrinária de Louis Claude de Saint-Martin. Empreendedor dos ideais esotéricos, Papus ao constatar tal fato em comum com Chaboseau, receando que essa tradição se perdesse com o tempo (fato que já vinha ocorrendo com muitas vertentes esotéricas), resolveu fundar uma Ordem Iniciática, que seria uma reestruturação da tradição de Louis Claude de Saint-Martin. O sistema doutrinário instituido por L.C. Saint-Martin na Sociedade dos Filósofos Desconhecidos, devido a sua pessoa, em reestruturação no século XIX ficou conhecido e denominado por Martinismo. Segundo os anais da tradição de Saint-Martin, havia um elo, ou melhor, um vácuo na linhagem de Papus, pois pela seqüência, existia um mistério em relação à pessoa que teria iniciado o Dr.Encausse, Henri Delaage, que morreu 1882, após conferir a livre iniciação a Papus. Assim em 1888, Augustin Chaboseau (que seria um membro do Conselho Supremo original da Sociedade dos Filósofos Desconhecidos) e o Dr. Encausse (Papus) trocaram Iniciações pessoais para consolidar a sucessão.
Então, a Ordem Martinista reorganizada por Papus, Chaboseau e seus companheiros, fundada durante o período de 1882-91, se constituiu inicialmente de 02 linhagens espirituais advindas de Saint Martin:
Linhagem 01: (Supostamente conferida a Papus pela iniciação herdada por Henri Deelage).
1.Louis-Claude Saint Martin (1743-1803)
2. Jean-Antoine Chaptal (morto em 1832)
3. X (? - Suposto Iniciador de Henri Deelage)
4. Henri Delaage (morreu 1882)
5. Dr. Gérard Encausse
Linhagem 02: (Conferida a Augustin Chaboseau pela iniciação herdada por Amélie de Boisse-Mortemart, prima de seu pai).
1. Louis-Claude de Saint Martin (1743-1803)
2. Abbe de la Noue (morreu 1820)
3. J. Antoine-Marie Hennequin (morreu 1851)
4. Adolphe Desbarolles (morto em 1880)
5. Henri la de Touche (Paul-Hyacinthe de Nouel de la Touche) (morto em 1851)
6. A marquesa de Amélie de Mortemart Boisse (neta de Henri de la Touche o iniciador de Honoré de Balzac no martinismo).
7. Pierre Augustin Chaboseau .
Em sua essência o Martinismo é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística judaico-cristã. Aberta tanto a homens quanto a mulheres, e que de acordo com as máximas de seus ensinamentos a Ordem está ligada a uma via que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.
Então, após ser iniciado na tradição do Martinismo, com apenas 17 anos, Gérard passou a destacar-se nos meios ocultistas por sua postura seria, e dedicada, voltada apara a conquista das chaves do autoconhecimento e da Iniciação. Nesse meio, tornou-se uma referência em matéria de martinismo; seus escritos compõem uma fonte preciosa de informação para todos aqueles que se interessam pela Tradição.



VI- Ordens, Grupos, Sociedades, e Fraternidades.
Alem da Ordem Martinista reestruturada entre os anos de 1882 a 1901, o celebre medico da primeira hora integrou, fundou, e coordenou muitos grupos, e instituições de cunho místico/ocultista. Segue abaixo um resumo de algumas dessas associações e sua ligação com as mesmas.



1. Sociedade Teosófica - ST
Entre os anos de 1887/1888 Papus conheceu Gaboriau, o diretor da revista ‘Le Lótus Rouge’, órgão informativo e de divulgação da Sociedade Teosófica (fundada em Nova York por Helena Pretovna Blavatsky entre 1875). Gaboriau o introduziu na Sociedade Teosófica da França, em sua entrada, Papus contribui a pedidos, com a produção da revista. Sendo uma de suas primeiras colaborações esotéricas para periódicos, o autor chegou a publicar uma tradução do Sepher Yetzirah (O livro da Criação). Foi através de sua ligação com a S.T da França que Papus travou contato direto com H.P. Blavatsky (um dos encontros é relatado na obra ‘Tratado elementar de Ciências ocultas, Livro II, Cap. VIII’, “a personalidade de Jesus existiu na terra?”). Sabe-se que Papus e outros ocultistas Franceses se retiraram da S.T.F por muitos motivos, sendo um dos mais citados a sua aversão contra o espírito exclusivamente oriental dessa sociedade iniciática. No ano de 1893, na introdução de seu ‘Tratado Elementar de Magia Pratica’, encontramos declarações diretas a respeito da S.T. (Sociedade Teosófica):


“Sociedade Teosófica, associação sem tradição, como também sem doutrina sintética, da qual todos os escritores franceses apresentaram-se a sair por todas as portas possíveis.”– (Tratado Elementar de Magia Pratica, Ed, Pensamento).



Mesmo com a sua saída, o bom medico não desmereceu a utilidade das Bases Teosóficas.



2.Ordem Kabbalistica da Rosa+Cruz – OKR+C
Em 1884 o Marquês Stanislas de Guaita recebeu a transmissão da corrente hermética da Rosa+Cruz possivelmente passada pelo místico Firmin Boissin, que segundo alguns era comendador da Ordem Rosacruz do Templo, ramificação descendente do Colegiado Rosacruz de Toulouse. A OKR+C e seus ensinamentos foram estruturados através da missão de despertar a Ordem 111 anos depois do nascimento da Fraternidade da Rosa+Cruz Dourada Alemã desde suas origens, em 1777. Então, em 1887 foi oficialmente fundada a Ordem Kabbalística da Rosa+Cruz. A OKR+C era regida pelo Conselho Supremo dos Doze (seis dos quais deviam manter-se desconhecidos), dividida em três câmaras: a câmara de direção, a câmara de justiça e a câmara de administração. Havia, além disso, uma câmara dogmática, uma câmara estética (dirigida por Josephim Péladan), e uma câmara de propaganda (animada e dirigida por Papus). De acordo com alguns dados históricos, a sistemática da OKR+C era moldado em parceria com as bases da Ordem Martinista. Após a morte de Guaita no ano de 1897, Papus e Barlet viriam a liderar a OKR+C.



3.Grupo independente de Estudos Esotéricos – GIDEE e Escola Hermética
Em 1889, juntamente com alguns amigos de círculo místico, o Dr. Encausse fundou o Grupo Independente de Estudos Esotéricos (GlDEE), transformado mais tarde em Escola Hermética, destinada a divulgar a espiritualidade, e combater o materialismo.
Eis abaixo o programa do G.I.D.E.E. :
1 – Dar a conhecer, tanto quanto possível, as principais informações da ciência oculta;
2- Formar membros instruídos por todas as sociedades de Ocultismo: Rosa+Cruz, Martinismo, Franco-Maçonaria;
3- Estudar os fenômenos tidos por para-normais, magnetismo e da magia teórica e pratica.
O GIDEE teve sua primeiras atividades na rua Rochechouart, e depois foram transferidas para um apartamento à rua de La Tour d’Auvergne.
Papus criou as revistas ‘A Iniciação’ e ‘Véu de Isis’, órgãos de divulgação do Ocultismo, que propagava as ações e bases da Ordem Martinista e da Ordem kabbalistica da Rosa+cruz.



4.Sociedade Alquímica da França – SAF
Em 1896, o químico, alquimista e ocultista François Jollivet Castelot, integrante da Ordem Martinista, juntamente com Papus, em comunhão com os ideais de outros irmãos estudantes da sagrada arte da transmutação, fundam a Sociedade Alquímica da França. Segundo os vestígios a respeito dessa fraternidade, suas bases advêm de uma tradição influenciada pela alquimia dos rosa+cruzes. Apesar de o nome fazer referencia a uma fraternidade local (França), pesquisas levam a associados de vários lugares do mundo. Há menção de que o ocultista e martinista Antônio Olívio Rodrigues(6), iniciado pelo Dr. Horácio de Carvalho, que era, por sua vez, iniciado de Papus, foi afiliado ou ligado a Sociedade Alquímica.



5.Fraternitas Thesauri Lucis - FTL
Segundo registros dos arquivos da Ordem Martinista, em 1897, Papus, Marc Haven e Paul Sédir tinham em mãos documentos referente a um sistema iniciático misterioso, com bases na tradição cristã da Rosa+Cruz. Apesar de ter sido organizada por Papus, quem assumiu a direção da Fraternitas Thesauri Lucis foi Sedir. Pouco se sabe a respeito dessa organização, e de seus demais membros. Erick Sablé em seu ‘Dicionário Rosa+cruz’- (Ed. Madras) afirma que a iniciação conferida pela F.T.L era essencialmente cristica.



6.Igreja Gnóstica
No ano de 1893 Papus foi consagrado Bispo Gnóstico por Jules-Doinel que refundou a Igreja Gnóstica em 1890. Juntamente com outros Integrantes da Igreja, entre eles o martinista e sucessor de Doinel, Jean Bricaud, consagraram vários sacerdotes da tradição gnóstica, e por meio dessa via surgiram diversos ramos da tradição gnóstica que atuam até os dias de hoje.



7.Order of the Golden Dawn (Ordem da Aurora Dourada)
Fundada na Inglaterra em 1888 pelo maçon e rosacruz W. Win Westcott (Magus Supremo da Ordem Rosacruz da Inglaterra), e dirigida pelo místico ocultista Samuel L. MacGregor Mathers; a Ordem da Aurora Dourada foi considerada uma das maiores ordens que trabalhou com magia operativa no ocidente. Tendo como membros ilustres: Oscar Wilde, Bram Stoker, o premio nobel William Butler Yeats e vários outros. Papus foi membro da Golden Dawn, fazendo parte do Templo de Ahathoor de Paris (Fundada em 1894).



8.Ordo Templi Orientis - O.T.O. , e o Rito de Memphis e Misraim
Fontes afirmam que Theodor Reuss, um dos principais fundadores da O.T.O, contatou o Dr. Encausse em 1901, e que este lhe nomeou inspetor especial da Ordem Martinista na Alemanha, bem antes da fundação da Ordo em 1906. Mas foi precisamente em 1908, que Reuss conferiu a Papus os graus 33º, 90º, 96º do Rito de Memphis –Misraim(7). Há suposições sobre a possibilidade de o líder da O.T.O ter lhe dado na mesma oportunidade, o Xº O.T.O. , atribuindo-lhe assim, a representação da ordem na França.



9.Maçonaria Mista
Frequentou (não sabe-se ao certo se foi regularmente associado) a Loja Maçônica Droit Humain (Direitos Humanos), de origem mista ou feminina, onde também foi iniciada entre 1900 e 1901 a famosa teosofa e ativista Annie Besant;



10.Tradição do Voudou Gnóstico
Pesquisadores afirmam que Papus esteve no Haiti realizando visitas a lojas martinistas que ali funcionavam, e que também adquiriu conhecimento dos saberes antigos do Voudou Gnóstico; segundo alguns, ele tendo carta patente da O.T.O nomeou para representante para o Haiti e às Ilhas Francesas o seu amigo e Franco-Maçon Lucien-François Jean-Maine, que fazendo uso das bases da tradição antiga da Gnose Voudou fundou em 1922 a La Couleuvre Noire (A serpente/Cobra Negra), uma ordem de Voudou Gnóstico independente, mas que tinha estreita ligação com a O.T.O.A (Ordo Templi Orientis Antiqua) ordem estruturada por Jean-Maine no Haiti após autorização dada por Papus ao mesmo.



11.Círculo dos Irmãos iluminados da Rosa-Cruz
Reestruturada e dirigida juntamente com Jollivet Castellot.



13.Escola de Magnetismo de Lyon
Fundada por Papus tendo Mestre Philippe de Lyon como seu Diretor.



14.Suddha Dharma
Na introdução ao ‘Tratado Elementar de Magia Pratica’, o autor refere-se ao movimento teosófico como algo sem tradição e crítica o caráter exclusivamente oriental da instituição fundada por H.P.Blavatsky; No mesmo texto ele faz menção aos resultados da magia pratica, alegando que os efeitos mais consistentes que podiam levar esse termo (magia pratica), obtiveram por meio de uma fonte oriental.
“Confessamos, pois, com toda a franqueza, que as poucas práticas sérias que tivemos oportunidade de experimentar e de verificar, nos foram transmitidas por uma sociedade oriental da qual somos membros do menor grau.”- (Tratado Elementar de Magia Pratica, Ed, Pensamento).
Levando-se em conta tal declaração, alguns pesquisadores afirmam que Papus foi integrante de um circulo esotérico da milenar Escola de Sabedoria Suddha Dharma Mandalam, depositária da essência dos ensinamentos das tradições antigas.



15.Associação Mística Ocidental - AMO+PAX
Fundada originalmente em Montevidéu Uruguai, sob a direção do Mestre Philippe e orientação de Papus, a organização se tornou um fórum de varias correntes espirituais, dentre elas estavam:
o Ordem Martinista;
o Ordem Kabbalística da Rosa+cruz;
o Sociedade de Essênios;
o Suddha Dharma Mandalam;
o Rito Egípcio de Osíris;
o Ramakrishna Ashram;
o Kriya Yoga;
o Sarva Yoga Ashram ou Ordem dos Sarva Swâmis;
o Comunidade Sufi;
o Satyagraha Ashrama;
o Maitreya Mahasangah;
o Departamento do Verbo;
o Zen Boddhi Dharma;
o Igreja Expectante (adentrou ao fórum após sua fundação em 17 de agosto de 1919, na cidade de Buenos Aires, pelo martinista Alberto Raymond Costet de Maschevillepor, conhecido nos meios iniciáticos por Cedaior).



VII – Mestres
Papus teve como mestre Intelectual o Marquês Joseph Alexandre Saint-Yves d´Alveydre (autor de o Arqueômetro, e um dos reveladores da teoria da Sinarquia) e como mestre espiritual, como o próprio afirmava, o mestre Philippe de Lyon (Nizier Anthelme Philippe). Mestre Philippe era a figura mais cativante, entre os grandes mestres simbólicos do Ocultismo do século XIX. Era uma pessoa simples, de média estatura, que acumulava inúmeras atividades relacionadas com a iniciação, medicina e sessões de orações e de curas. Ainda lhe sobrava tempo para confeccionar seus próprios instrumentos de trabalho, bem como os utensílios utilizados em seu laboratório. Dormia pouco, mas jamais mostrava-se cansado; e comumente era visto jogando bola de gude com as crianças em plena praça publica na cidade de Lyon. Papus também se intitulava discípulo de Fabre d´Olivet, Saint Martin, Jacob Böehme, e de Eliphas Levi cujas obras sabia praticamente de cor, em especial o ‘Dogma e Ritual da Alta Magia’, e o ‘Grande Arcano’. Sobre Levi, vale esclarecer um fato interessante, que para aqueles que conhecem pouco a história da tradição esotérica é motivo de confusão. Na introdução à 1ª edição brasileira da obra ‘A Golden Dawn’ do mago Israel Regardie, publicada pela editora Madras, especificamente na pagina XVIII da introdução, no tópico “Eliphas Levi”, no começo do segundo paragrafo, vemos o seguinte:




“Embora saibamos que os estudos de Levi começaram no mosteiro, a data de sua iniciação, propriamente dita, ainda é duvidosa. Sabe-se que ele colaborou e foi amigo do famoso iniciador, o mago Papus”- (Wagner Veneziani na introdução a edição Brasileira do livro A Golden Dawn, Israel Regardie; Ed. Madras; SP, 2008).



Tal colocação e outras que foram expostas na introdução brasileira da obra demostram equívocos históricos. A respeito de Papus e Levi, vemos que não foi possível eles terem trocados informações consistentes sobre a tradição, já que o Sr. Alphonse (Levi) veio a falecer em 1875, época em que Papus com apenas 10 anos de idade ainda estava no Colégio Rollin. O Doutor Encausse considerava Levi como um de seus mestres esotéricos, tanto que em 1886 ele tentou conhecer o autor do proclamado ‘Dogma’; enviou-lhe cartas expondo sua grande admiração; mas as correspondências não tiveram respostas, até descobrir por irmãos que conheceram pessoalmente o mestre, que ele havia feito a passagem desde o ano de 1875.



VIII- Duelo a favor de um irmão
No ano de 1893, Papus travou um duelo com Jules Blois, que tinha desacatado fortemente a Stanislas de Guaita (a respeito do caso do Padre Vintras, da Igreja do Carmelo(8) e a missa negra com hóstias em sangue, divulgadas e condenadas por Eliphas Levi). Fato curioso é que, uma lenda fantasiosa se deu o cabimento por meio desse duelo, eis então como se segue: Quando Jules Blois dirigia-se em um fiacre para o Pré Catelan (Paris) local designado para o combate que ocorreria às 11 horas da manhã, os cavalos assustaram-se com a aparição súbita de um vulto e empinaram-se, derrubando por terra Jules Blois e sua comitiva. Assim, o adversário de Papus chegou em sua presença com dor de cabeça e cambaleante. O duelo começou, sem muito entusiasmo, Papus procurando, dizem seus biógrafos, não ferir gravemente seu opositor. Este recebeu um pequeno ferimento no ombro e a luta teve fim. O Doutor por sua vez, cumpriu com a obrigação de médico, socorrendo seu oponente. Esse duelo gerou cogitações fantásticas, uns alegavam que o vulto que assustou os cavalos tratava-se de um fantasma que morava com Guaita em seu castelo de Alteville, um fiel amigo do Marques que também veio defendê-lo, e que segundo a introdução da obra ‘No Umbral dos Mistérios’:

”Conta-nos Paul Adam, que o fantasma costumava aparecer quando estávamos à mesa; um dia, um dos presentes levantou-se e lhe ofereceu uma costela de ovelha; o fantasma, ofendido, nunca mais apareceu.”
”Os jantares no castelo de Alteville costumavam prolongar-se noite adentro com agradáveis conversações. E o fantasma adquiriu, com o tempo, grande reputação. Muitos afirmavam conhecê-lo e diziam que lhe faltava um pé, e que o outro pé parecia um pilão de madeira.”
“Essa lenda, por bizarra que possa parecer, tem o mérito de salientar a atmosfera de mistério que imperava na residência campestre de Guaita”
-(No Umbral dos Mistérios, Trad. Sociedade das ciências Antigas).



XIX- Casamento
Em 23 de fevereiro do ano de 1895, veio a casar na Igreja de Notre Dame d`Auteuil com a viúva Mathilde Inard d`Argence, neta da condessa de Freudstein. Afirmam que houve uma assembleia de magos vindos de vários cantos do mundo para prestigiar a cerimonia e felicitar os noivos.
Uma passagem interessante que marca a vida desse casal e sua ligação com a tradição é que, Papus, logo quando conheceu Mathilde, percebeu que a jovem viúva tinha um grande interesse pelas ciências esotéricas, e especial admiração por um mago que atendia pelo nome de Philippe; o Dr. Encausse, após realizar alguns rituais de proteção, crendo que o dito mago foco da atenção de sua noiva podia ser um inimigo, veio a constatar que tratava-se do humilde mas não menos celebre Philippe de Lyon, que se tornou um de seus principais mestres na senda.
A admiração do casal para com o grande taumaturgo de Lyon fora tanta que, Papus e Mathilde deram a seu primogênito o nome do mestre que se tornou também padrinho do garoto que nasceu em 02 de janeiro de 1906 (Philippe Encausse).





X- Escritos e Obras
Em 1887, aos 22 anos, escreveu sua primeira obra, denominada O ‘Ocultismo Contemporâneo’. No ano seguinte surgiu se ‘Tratado Elementar de Ciências Ocultas’, que rapidamente alcançou grande sucesso em vários países e proporcionou a seu autor grande liderança no meio ocultista parisiense. Uma obra em que se acham resumidos com clareza, agrupados e sintetizados os dados primordiais do Esoterismo. No mesmo ano (1888) traduz e publica para a revista ‘Lotus’, veiculo de divulgação da Sociedade Teosófica da França o ‘Sepher Yetsirah’ (Livro da Criação). Nos anos seguintes surgem os escritos sobre a ‘Pedra Filosofal’.
Os livros principais foram publicados em sua juventude, como o ‘Tratado Elementar de Ciências Oculta’ (23 anos, em 1888), o ‘Tarot dos Boêmios’ (24 anos,1889), o ‘Tratado Metódico de Ciência Oculta’ (26 anos em 1891, tido como um dos mais extensos trabalhos do autor, contendo quase mil paginas), ‘A Cabala’ (27 anos,1892), o ‘Tratado Elementar de Magia Prática’ (28 anos, em 1893).
Para seus companheiros de adeptado, suas obras principais foram o ‘Tarot dos Boêmios’, o ‘Tratado Metódico de Ciência Oculta’ e o ‘Tratado Elementar de Magia Prática’.

“São Três, dos mais belos livros e dos mais fundamentais para o estudo do Ocultismo aparecidos após os de Eliphas Levi, Louis Lucas e Saint-Yves d´Alveydre" - (Stanislas de Guaita em No Umbral do Mistério).

XI - Rússia
Em 1896 o Czar Nicolau II, e a Czarina Alexandra estiveram em Paris; Papus, através de fontes confiáveis sabia que o movimento martinista da época de San Martin era vivo em São Petersburgo e mantido pela corte do Czar. Sendo assim, Encausse enviou ao casal real uma mensagem em nome dos espiritualistas franceses desejando-lhes boas vindas; e identificando-se como medico presidente do conselho da Ordem Martinista, e delegado geral da Ordem Kabbalistica da Rosa+cruz. Tal iniciativa agradou o Czar, e gerou mais interesses por parte de Papus pelas correntes martinistas esotéricas da Russia que foram estabelecidas através do próprio Saint-Martin.
Na Russia o Martinismo desde seus primórdios, contava com membros da aristocracia. Saint-Martin tinha iniciado o embaixador russo em Londres, príncipe Simeon Worontzor; o príncipe Alexis Barisowitz Galitzin, iniciado no ano de 1780; o príncipe Alexander Barisowitz Kurakin e os Condes Norkov e Vasily Nikolaievich Zinoviev; e o Professor Universitário Ivan G. Schwartz.
Varias lojas martinistas funcionavam sob um regime de discrição, e desde o século 18 até o inicio do Século 19 a classe martinista Russa foi composta por membros da família real, sábios, membros do alto clero ortodoxo, escritores, aristocratas, militantes, artistas etc. O próprio Czar era grão mestre da loja Cruz e Estrelas que operava em Tsarskoie-Sélo no Palácio Imperial.
Sabendo das atividades martinistas na Rússia, Papus empreendeu sua primeira visita à corte em 1901, e foi apresentado oficialmente ao Czar. O Doutor, através de referencias, teve a oportunidade de examinar e cuidar da saúde da família real; e com exímio argumento a respeito da reestruturação do Circulo dos Filósofos Desconhecidos na França, rapidamente teve o apoio para estabelecer uma loja da sua linhagem martinista em São Petersburgo, onde o Czar assumiu a presidência dos Superiores Incógnitos. Na corte ele conheceu o monge Grigoriy Rasputin, que tinha a preferencia da Czarina Alexandra e de outros da aristocracia devido a suposta cura que promoveu ao jovem Alexei Romanov, filho do Czar, que sofria de um tipo de Hemofilia. Segudo fontes, Rasputin teve um confronto com Papus, uma batalha mágica lendária. No mesmo ano o Dr. voltou a França para providenciar alguns documentos e processos tanto de cunho profissional como iniciático, em seguida, ele retorna à Rússia, dessa vez trouxe consigo mestre Philippe de Lyon; Dizem que houve uma segunda batalha contra Rasputin; mas que esse bateu em retirada pois não podia com Encausse e o seu amado mestre. E através de Papus a família Imperial tomou conhecimento de seu amigo e mentor espiritual, tido com sincero Cristão a qual foi dado o status e honras pelo Czar Russo, e que manteve contato com a corte imperial até sua morte em 1905.
Devido a derrota, uns afirmam que Rasputin influenciou a direção da loja Cruz e Estrelas, fazendo com que em assembleia decretassem uma norma impeditiva para o Cazer Nicolau II e a Czarina; proibindo-os de assistir às sessões martinistas na loja. Além de argumentos aos quais desconhecemos no momento, citam que os martinistas russos só concordaram com a norma devido ao fato de considerarem a ordem reestruturada por Papus um linhagem herética, e apócrifa. Para apaziguar e assegurar o harmonioso desenvolvimento do martinismo no reino de Nicolau II, Papus foi reiniciado na tradição de Saint-Martin pelos russos, recebendo outra corrente iniciática. Isso ocorreu no Soberano Capítulo Apolônio de Thiana de São Petesburgo, dirigido pelo F.’.D.’. Gregory Otthovich von Mebes(9)(Irm.’. GOM), nascido na Suécia, radicado e naturalizado Russo. Este não somente reiniciou Papus na tradição dos S.'.I.'., sendo que também estabeleceu um grupo martinista da recém ordem criada pelo medico da primeira hora. Apos esses eventos, algumas lojas do Martinismo Papuziano foram instaladas e ganharam popularidade no meio místico esotérico.
Textos afirmam que em 1905 na presença do casal Imperial, o magista evocou o espírito do pai do Czar, Alexander III que ofereceu conselhos práticos sobre como lidar com a crise política. Tanto Papus e Mestre Philippe tiveram um papel importante no reinado Russo. Foram conselheiros da família real, e ótimos diplomatas em se tratando de ciências esotéricas. Inclusive, dizem que o Czar foi prevenido pelos dois magistas a respeito de uma conspiração internacional que desejava a dominação mundial, e que o império Russo era um dos poucos capazes de impedir a conspiração desses Irmãos da Sombra. Também avisou ao Czar para se preparar para vinda da guerra com a Alemanha, que estava sendo engendrada por forças sinistras em Berlim.



XII- Iº Guerra Mundial, Morte
Em 1914 voluntariamente se ofereceu para servir na I Guerra Mundial. E como capitão-médico foi para o front; provavelmente em setembro do mesmo ano, ao cuidar de doentes em um forte na cidade-subúrbio de Aubervilliers ao norte de Paris, o Doutor foi exposto a gasés, e sofreu intoxicação; como recomendação do comando militar, após cerca de nove meses de árduo serviço o general Encausse foi enviado para casa; e dispensado de trabalhos que o levassem para o campo de batalha. Ao chegar, descobriu que tinha desenvolvido um tipo de hemoptise, resultante de uma tuberculose pulmonar, que segundo dados foi contraída numa ambulância que atuava nos campos da grande guerra. Seus biógrafos mais convencionais confirmam ser essa a causa de sua transição para os planos superiores. Há outros relatos que atribuem sua morte a um ataque magico. E que, inclusive, o próprio Doutor teve a visão de sua morte. Coincidentemente nesse período ele terminava seu estudo ‘Para onde vai os nossos mortos’; onde deixou a seguinte colocação:

“Saberei em breve se minhas ideias são justas ou não”.

Segundo declarações feitas por seu filho, Dr. Philippe Encausse:

“Quinze dias antes de morrer, Papus foi vítima de um feitiço que segundo ele mesmo afirmou ‘foi um belo trabalho’. Durante a noite alguém espetara alfinetes na porta de entrada de nossa residência (na bulevar de Clichy, em Montmartre), Habilmente distribuídos, eles formavam uma cruz e um caixão. Após ter admirado esse ‘trabalho’, meu pai comentou: ‘A pessoa deverá voltar duas vezes, mas eu terei partido antes disso. Não tenho permissão para me defender.’ – Entretanto ele desenhou um triângulo...Na semana seguinte, tornamos a encontrar os alfinetes. Durante esses oitos dias, o estado físico de Papus piorara...Ele não quis provocar um ‘contragolpe’, pois isto teria sido contrário à moral crística.”-(J.C. Frère, Vida e mistérios dos Rosa+Cruzes; Ed. Pensamento, SP, 1983)

Se houve ou não um ataque contra o Doutor por parte de seus supostos inimigos(10), não encontramos mais provas além de suas colocações , das de seus parentes e amigos. De qualquer forma deixemos as palavras do mestre Martinista surtir mais efeitos do que essas suposições:

“Mesmo quando um mago negro consegue fazer algum tipo de mal, não chegará a usufruir da sua obra de ódio, pois ele é sempre a sua primeira vítima.” – (Tratado Elementar de Magia Pratica, SP, Ed. Pensamento);

No dia 25 de outubro Papus foi ao hospital de Charité (hospital da caridade, onde foi chefe de clínica), consultar seu amigo de longa data o Professor Sergent; ao se dirigir para determinada sala, Papus tossiu e expeliu sangue, seguidamente caiu nas escadas principais do hospital. Foi levado rapidamente para uma enfermaria, mas já era tarde, tinha feito a grande passagem; vencido aparentemente pela tuberculose. Seu filho ainda relata:

“Essa morte repentina impediu meu pai de contar aos seus companheiros habituais que minha mãe o esperava num carro estacionado em frente à porta do hospital. Dali telefonaram, enviaram mensagens para nossa casa, mas tudo em vão, pois nela não havia ninguém.
“A condessa de Béarn, médium extraordinária e amiga fiel, foi a primeira a ser avisada... Uma hora depois de ele ter falecido, inesperadamente ela viu seu amigo Papus em sua própria casa, o qual com uma expressão preocupadíssima, disse-lhe: ‘Não sei o que acaba de me acontecer... Caí, e revistaram-me. É preciso prevenir com toda urgência a minha esposa. Conto contigo. ’- Assim falando, desapareceu...”-
(J.C. Frère, Vida e mistérios dos Rosa+Cruzes; Ed. Pensamento, SP, 1983).

Então, em 25 de outubro de 1916, com apenas 51 anos de idade falece o grande e bondoso Papus, o medico da primeira hora. Seu velório correu na Igreja de Nossa Senhora de Loreto. Seu ataúde foi decorado com fitas vermelhas, azuis, e brancas, muitas pessoas invadiram o recinto para se despedirem do celebre medico ocultista. Durante o ritual de velamento, um acontecimento estranho tomou o momento em que seu caixão estava sendo transportado; um fragmento da mão da escultura de um anjo, pertencente à faixada de uma das sepulturas caiu em cima da coroa de flores colocada por Philippe sobre o esquife do caixão. Era o dedo de um anjo, ou como atribuiu alguns, a saudações de um anjo. Seu corpo repousa no cemitério de Père Lachaise em Paris, na divisão 93.

No Umbral do Mistério, Stanislas de Guaita escreve que Papus:

"Jovem médico dos mais eruditos e fecundos, converteu-se em dupla personalidade: conquistou a notoriedade sob dois nomes diferentes. Suas obras de anatomia e de fisiologia receberam apenas a subscri-ção de Gérard Encausse. Seus Tratados de magia arvoram um outro nome".
"Cabeça enciclopédia e pena infatigável, saudemos este jovem iniciado que disfarça ou, diríamos, que desfigura o lastimável pseudônimo de Papus. É mister, seguramente, que os seus livros testemunhem uma superioridade assaz transcendente, para que se possa perdoar sua etiqueta! Fato é que os amadores de teosofia pronunciam o nome de Papus sem esboçar qualquer sorriso mas, isto sim, com admiração e apreço.
"Imitemos esse Iniciador, disse-nos Sedir, que desejou não ser mais do que um amigo para nós e que foi bastante forte ao ponto de nos esconder suas dores e seus desgostos sob um perpétuo sorriso. Enxuguemos nossas lágrimas; elas o reteriam nas sombras; regozijemo-nos, como ele próprio há três dias o fez, por rever finalmente face à face o Todo Pode-roso Terapeuta, o autêntico Pastor das Almas, o Amigo Eterno, o Bem Amado de quem ele foi Eterno, o Bem Amado de quem ele foi o fiel servidor".
"Digamos, juntos a Gérard Encausse, um até logo vibrante; demos a ele, por nossas boas vontades doravante indefectíveis, a única recompensa digna de tão longas penas que ele suportou por nós" –
(Discurso de Paul Sédir junto ao túmulo de Papus, na ocasião de seu enterro).



XIII- Lista alfabética das principais publicações de Papus no original francês:
01 - ABC Illustré D´Occultisme, Dorbon, 1922 (6º ed.);
02 - l´Almanach de la Chance por 1905 (id.,até 1910);
03 - L´Almanach du Magiste, de 1895 a 1899;
04 - Revista L´Initiation (artigos, de 1891 a 1914);
05 - Revista Le Voile d´Isis (artigos, de 1891 a 1909);
06 - Les Arts Divinatoires. Chamuel, 1895;
07 - La Cabbale, Chacornac, 1903 (3º ed.);
08 - Ce que deviennent nos morts. La Sirene, 1918.
09 - Ce que doit savoir un maitre Maçon. Ficher, 1910.
10 - Comment on lit dans les mains. Ollendorff, 1902 (2º ed.)
11 - La Magie et l´Hypnose. Chamuel,1897.
12 - L´Occultisme contemporain. Carré, 1901.13 - Premiers Eléments de Lecture de la Langue Hébraique. Dorbon 1913
14 - Qu´est-ce que l´Occultisme? Chamuel, 1892.
15 - La Réincarnation. Dorbon, 1912.
16 - La Science des Mages. Chamuel,1892.
17 - La Science des Nombres. Chacornac, 1934.
18 - Le Tarot des Bohémiens. Carré, 1889.
19 - Le Tarot Divinatoire. Libr. Hermetique, 1909.
20 - Traité Elémentaire de Magie Pratique. Chamuel, 1893.
21 - Traité Elémentaire d´Occultisme et d´Astrologie. Dangles, 1936.
22 - Traité Elementaire de Science Occulte. Carré, 1888.
23 - Traité Méthodique de Magie Pratique. Chacornac, 1924.
24 - Traité Méthodique de Science Occulte. Carré, 1891.



XIV - Lista dos Escritos de Papus traduzidos e publicadas em língua portuguesa
Abc do Ocultismo. Ed. Martins Fontes (trad. da S.C.A);
O ocultismo. Ed.Madras/ Ed. Esfinge (Portugal);
Como ler a mão. Ed. Gnosis;
A Cabala. Ed. Pensamento/Ed. Martins Fontes (trad. S.C.A);
O que deve saber um Mestre Maçom. Ed. Pensamento;
A Franco-Maçonaria e o Martinismo. Ed. Madras;
Taroth dos boêmios. Ed. Ícone/ Ed. Martins Fontes (trad. S.C.A);
Taroth Advinhatório. Ed. Pensamento;
Reencarnação. Ed. Pensamento;
Tratado Elementar de Magia Prática. Ed. Pensamento;
Tratado Elementar de Ciências Ocultas -Volume I & II. Ed. Três (coleção Planeta nº 8 & 9, 1973);
Os Raios Invisíveis – O astral das coisas. Ed. Gnosis;
O Que acontece com nossos mortos. Ed. Hermanubis Martinista.




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(1)- O Nome Papus comumente é pronunciado como Papi devido a sua fonética em francês, mas se fossemos levar em conta a origem de seu nome, ele seria expressado como Papus, advindo do grego do qual descende os escritos do Nuctemeron de Apolônio de Thiana. Até hoje existem duvidas a respeito de como era referendado o Dr. Encausse; Alguns defendem que os dois termos eram comumente aplicados;
(2) – Vale ressaltar que algumas dessas ilustres personalidades frequentaram Montrematre em épocas e períodos diferentes; mas que de alguma forma contribuíram para com o clima magico do bairro, e também foram influenciados pelo mesmo;
(3)- Sua primeira comunhão na Igreja Católica Apostólica Romana;
(4)- Octave Denis Victor Guillonnet, (1872 - 1967), também conhecido como o ODV Guillonnet, foi um grande pintor francês, que segundo fontes era da ordem Cabbalistica da Rosa+cruz ; elaborou em conjunto com Papus as figuras das laminas do taroth advinhátorio que foram utilizados para explicar as imagens do Taroth dos Boêmios ;
(5) - Será que podemos realmente crer que tal ocorrido era um mero acaso da coincidência?;
(6)– Irm.’. AOR, como era conhecido nos meios oculistas, foi afiliada a Ordem Martinista, OKR+C, e Suddha Dharma. Fundou o Circulo Esotérico da Comunhão do Pensamento, juntamente com a Editora Pensamento no Brasil, no ano de 1909;
(7)- Os ritos de Memphis & Misraim supostamente remontam seu inicio aos primórdios da civilização. Advindos de fontes da Índia, Egito, e até mesmo da tradição Caldeu-hebraica, que perpetuavam os saberes dos antigos mistérios. Seus fundadores originais no ocidente seriam os Cavaleiros da Palestina, e os Irmãos da Rosa-Cruz do Oriente. Esses dois ritos maçônicos se tornaram uma única Obediência (Memphis-Misraim), quando foram reunidos em 1881, por Giuseppe Garibaldi, o seu primeiro Grão-Mestre. Em 1902, Theodor Reuss estabeleceu o Santuário Soberano de Memphis-Misraïm na Alemanha e em 1913, após a morte de Yarker (ultimo Grão-Mestre antes de Reuss), ele se tornou o Chefe Internacional do Rito. Reuss, ao criar juntamente com karl Kellner, e Franz Hartmann, a O.T.O. (Ordo Templi Orientis) em 1906, englobou o Rito de Memphis-Misraim a sua estrutura iniciática, isso em versão limitada, onde somente os graus de caráter essencialmente esotéricos estavam incorporados a suas bases. E que, para obter uma carta patente para estabelecer um ramo do O.T.O. o seu representante teria que ter recebido o Xº da O.T.O.
(8) – A Igreja (seita) do Carmelo foi fundada por Pierre Eugène Michel Vintras (1807-1875), que ficou conhecido como Padre Vintras, ou pelo nome angélico de Strathanael; Sua base dogmática foi exposta por Eliphas Levi na obra ‘História da Magia’, em que era feita menção a realização de uma missa negra, em que a comunhão dos fieis eram realizadas com hóstias embebidas de sangue, e por meio de orgias sexuais. Com a Transição de Vintras no ano de 1875, o teólogo Joseph-Antoine Boullan (1824-1893) assumiu o comando da Ordem do Carmelo, que a dirigiu, até sua morte. Boullan era um fanático atraído pelas aparições marianas e pelas profecias apocalípticas, declarando-se, inclusive, a reencarnação de João, o Batista. A inspiração mística da Igreja fundada por Vintras vem de sua ideologia Naundorfistas. O Naundorfismo por sua vez refere-se aos ideais de Charles Guillaume Naundorff (1785-1845) — o Rei Perdido e Delfim da França, que segundo Vintras e muitos outros místicos do século XIX , o consideravam, além disso e por isso, depositário das chaves esotéricas do Cristianismo Gnóstico; e que também é citado na ‘História da Magia’ de Levi. Vintras foi condenado a cinco anos de prisão em 20 de Agosto de 1842 por fraude e charlatanismo, de onde saiu ileso em 25 de Março de 1848. Na prisão criou a Ordem dos Cavaleiros da Virgem Maria e escreveu um ritual em honra a Melquisedek, inspirado, segundo declaração do próprio, por um ser angelical. Prosseguiu com as ordenações de Sacerdotes de sua linhagem gnóstica, que acabaram se constituindo nos alicerces e nas colunas da Ordem do Carmelo. Em 08 de Novembro de 1843, o Papa Gregório XVI, condenou oficialmente a Igreja (Ordem) Vintrasiana.
(9) - Gregory Otthovich von Mebes (Irm.’. GOM) ou G. O Mebes, foi o autor da obra publicada pele editora pensamento: ‘Os Arcanos Maiores do Taroth’, tida como um clássico entre os meios marinistas e ocultistas.
(10) – Alguns afirmam que além de Rasputin e de seus comparsas, Papus teve outros inimigos; nos quais encontravam-se a igreja do Carmelo; E uma célula descendente dos polêmicos Illuminates da Baviera, sociedade originalmente fundada 1776 pelo professor Adam Weishaupt (falecido em 1830). Acreditava-se que a inimizade ocorreu devido ao fato de que alguns incautos confundirem a essência Illuminsita do martismo com a organização da Baviera. Eis oque diz a obra Martinesismo, Willermosismo, Martinismo e Franco Maçonaria de autoria de Papus a respeito de tal assunto:
“Não se deve confundir os iluminados alemães, discípulos de Weishaupt, niveladores encarniçados, com o "discípulo virtuoso de Saint-Martin, que não professa somente o cristianismo, mas que só trabalha para elevar-se às mais sublimes alturas desta lei Divina".- (Retirado dos escritos do diplomata escritor, JOSEPH DE MAISTRE, - Les Soirées ... (XIº Entretien), citado por Saturninus).




REFERÊNCIAS



PAPUS. Tratado Elementar de Ciências Ocultas. vol. I & II. Ed. Três;
______Tratado Elementar de Magia Pratica. Ed.Pensamento;
______Martinesismo, Willermosismo, Martinismo e Franco Maçonaria. Trad. S.C.A;
PLANETA Nº 24, Revista. O mago das ciências ocultas. Ed. Três;
FRÈRE, Jean-Claude. Vida e mistérios dos Rosa+cruzes. Ed. Pensamento;
SABLÈ, Erick. Dicionário dos Rosa-cruzes. Ed. Madras;
GUAITA, Stanislas de. No Umbral dos Mistérios. Ed. Martins Fontes;
________________O Templo de Satã. Vol I & II. Ed. Três;

Hermanubis Martinista-
http://www.hermanubis.com.br/biografias/biopapus.htm
AMO+PAX -
http://orobas.blogspot.com
Sociedade das Ciências Antigas - http://www.sca.org.br/
O martinismo Russo - http://rosacruzes.blogspot.com/2009/09/o-martinismo-russo.html
Ocultura - http://www.ocultura.org.br/index.php/Papus

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

_______________É_________________




Por: Irm. A.S.N.A


O Espiritual esta contido em tudo, a variedade de sua expressão é somente a configuração da ilusão;


O distante, o mal e o não essencial é criação de uma corrupção formatada pra se fazer entender um mistério que é alem do saber dos vulgos sábios homens;


A real primordial natureza é o BEM. Mas para compreendê-la é necessário reconhecer sua falta através do símbolo de um MAL;


Talvez este tenha sido o preço pago pela queda de Adão, ou pelo fogo roubado por Prometheus; reconhecer a Luz através do antagonismo das Trevas;


Outrora possivelmente não existisse separação, e em perfeição o ser não precisava do Nada para comungar com o Tudo;


Mas... Vai saber... Somos mais um dentre as células de um corpo pensado, que integra algo alem de nossas miseras e insignificantes suposições;


Em nosso âmago? Reside uma centelha ardente e inextinguível de uma chama incorruptível pela noção de dual;


Esta chama? Não conseguimos descrevê-la , vai alem de nossas estruturas;


Desconfiamos que em sua totalidade não reside Trevas e muito menos Luz;


Essa centelha não existe;

Ela É!



(14,06,2009)