segunda-feira, 27 de março de 2017

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO MARTINISMO - I

 por: Adriano Soares


  (Assembléia das lojas da Soberana e Independente Antiga Ordem Martinista – Martinezista, Moscou, Rússia, abril de 2013.)
            “Acusados de sermos demônios por uns, clérigos por outros, magos negros ou alienados pela multidão, permaneceremos simplesmente Cavaleiros ferventes do Christos, inimigos da violência e da vingança; sinarquistas convictos, opostos a toda anarquia de cima ou de baixo, em uma palavra  permaneceremos: Martinistas” – (Papus. Martinesismo, Willermosismo, Martinismo e Franco Maçonaria, Trad. S.C.A).


Nos anais da história das sociedades (secretas) iniciáticas, dentre as organizações de caráter iluminista de maior influência no mundo, encontraremos a Ordem Martinista. Graças às suas ações, foi uma das principais organizações que influenciaram o desenvolvimento e surgimento de demais escolas e grupos semelhantes no Brasil e em outros países tanto da America do Sul, quanto em todo ocidente.

I. O QUE É O MARTINISMO?
Aqueles que pouco ouviram ou leram a cerca de tal tema, farão o seguinte questionamento: que é Martinismo? Resumindo em palavras simples e diretas pode-se dizer que o Martinismo é uma vertente preservada enquanto instituição, que sustenta um pensamento místico-filosófico advindo das influências dos escritos e ensinamentos de um místico maçom chamado Martinez de Pasqually, e de seus discípulos Louis Claude de Saint-Martin e Jean Baptiste Willermoz. Nos estudos e trabalhos desenvolvidos pelos adeptos do Martinismo e de sistemas correlacionados há referenciais simbólicos e alegóricos da tradição Cristã, Judaica, e Gnóstica. Seus aspectos filosóficos e ritualísticos também estão compreendidos em escolas de caráter sacerdotal gnóstico e no rito maçônico conhecido como Rito Escocês Retificado.
A escola inicialmente estabelecida por Martinez de Pasqually atuava restritamente por meio de um método chamado de Theurgico, ou seja, fazia uso da “Teurgia”, palavra que etimologicamente advêm do grego theoi, "Deuses", e ergon, "obra", que poderia ser visto como "Obra Divina" mas também "Obra de Deus" ou "produzindo a obra dos deuses". Tal expressão era utilizada como contraparte da expressão Teologia (Lógica de Deus), que meramente discutia sobre Deus (ou os deuses). No caso, a Teurgia ritualisticamente realizava a obra divina de Deus (ou dos deuses) por meio de ações tidas como cerimoniais, objetivando uma comunhão com Deus e seus agentes (Anjos, Arcanjos, etc), obtida através de preces, exercícios e estudos. Sendo assim, o inicio de todos os trabalhos e estudos de Martinez de Pasqually era visto como sendo uma prática mágica operativa e, aparentemente, externa.
Com o tempo, foi estabelecido por meio de um dos seus mais ilustres discípulos, Louis Claude de Saint-Martin, uma vertente prática chamada senda mística cardíaca ou, como se referem alguns, a via do coração, sendo esta uma Teurgia Gnóstica que teve como influência outros métodos advindos de vertentes variadas que focavam o desenvolvimento do ser por meio de seu trabalho interno.
A expressão Martinismo se deu em homenagem ao legado estabelecido por Louis Claude de Saint-Martin e aparece registrada inicialmente em algumas obras do abade místico francês Eliphas Levi (1810 - 1875), todavia foi por meio do médico francês (nascido na Espanha) Dr. Gerard Encausse (1865 – 1916), conhecido nos meios espiritualistas como Papus, que o Martinismo ganhou uma estrutura ritualística organizada e de caráter moderno.
Hoje, segundo documentos e dados contidos nas escolas (linhagens) que mantém e propagam a filosofia Martinista, alega-se que a ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.
É comum ao estudante ou pesquisador que se debruça sobre a filosofia do Martinismo encontrar outros termos parecidos ou até mesmo curiosamente correlacionados com a expressão “Martinismo”, por exemplo, as expressões Martinezismo ou Willermorzismo. Com isso surgem muitas dúvidas ou até mesmo confusões, atribuindo o mesmo significado a várias organizações com ideais análogos e até bem semelhantes, mas com métodos e propostas diferentes. Para esclarecer um pouco tais questões, segue como continuação uma pequena síntese das ações e objetivos dessas organizações irmãs e ligadas à tradição Martinista.

II. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE AS DIFERENÇAS ENTRE MARTINISMO, MARTINEZISMO, WILLERMORZISMO E PAPUSIANISMO:
II.1.  MARTINEZISMO
O Martinezismo é uma via que trabalha com o sistema estabelecido pelo mestre maçom Martinez de Pasqually (1710-1774), que enquanto ordem ficou conhecida pela alcunha de "Ordem dos Cavaleiros Elus Cohen do Universo - Ordem dos Cavaleiros Maçons, Sacerdotes Eleitos do Universo". 
A Ordem foi fundada em 1754, e em seus postulados encontram-se aspectos simbólicos da tradição hebraica, do cristianismo, e gnosticismo, além de práticas e liturgias operativas, de natureza ditas Theurgicas. Seu sistema é até hoje visto como herdeiro de uma tradição primordial e é alvo das mais diversas especulações. Alguns até chegaram a associar a influências de figuras como Alessandro di Cagliostro, e Emanuel Swedenborg.
 Uma de suas literaturas centrais é o “Tratado da Reintegração dos Seres Criados” de autoria do Próprio Pasqually. Seu sistema pretendia despertar no centro do ser uma consciência Christica que se manifestaria a níveis físicos ao ponto de fazer do adepto um Eleito, abençoado, um “Real Cruz”. Para alguns dos estudantes dessa tradição, tal consciência inicialmente se manifestava de forma peculiar e era chamada de “la Chose", que por sua vez foi erroneamente interpretada pelos profanos como uma manifestação semelhante aos fenômenos mediúnicos do Espiritismo. O sistema de Martinez, se fizermos uma comparação com as terminologias utilizadas por seu discípulo Saint Martin em sua obra “Dos Erros e da Verdade”, atua a partir do chamado “Livro da Natureza”, através do qual o estudante usa o meio externo para travar contato com o plano arquetípico (divino) e com isso alcançar a comunhão com as forças superiores.
Para Saint Martin o sistema de seu mestre Martinez não era algo que se adequava a todos os tipos de estruturas psíquicas, por isso Saint Martin percebeu que antes se fazia necessário uma estruturação e firmação de uma base no coração de cada buscador e, conforme suas condições, o mesmo iria despertar a consciência aos poucos e assim transcender em um processo íntimo, no qual o Christus seria desperto, reconciliando e reparando a natureza da parcela adâmica individualizada, tirando o ser da condição de “Torrente”, dando-o a segurança da sincera “Vontade” e levando-o ao “Ministério do Homem Espírito”. Ou seja, não muito diferente do que Levi dizia em relação aos quatro verbos divinos da Magia: “Saber, Ousar, Querer, e Calar”.

II.2.  MARTINISMO 
O Martinismo é um sistema que se baseia nos postulados e métodos do mestre filósofo francês Louis Claude de Saint-Martin (1743-1803) que, em seus primórdios, fora conferido a um círculo restrito de seus amigos e escolhidos de confiança. Há forte influência de várias correntes místicas, valendo destacar três em especial, os escritos e postulados do filósofo teutônico Jakob Böehme; a corrente preservada pela tradição ortodoxa e bizantina conhecida como Hesicasmo, que também influenciou grandes mestres, dentre os quais cita-se Jeanne Marie Bouvier de La Motte (Madame Guyon); e os próprios ensinamentos dos “Elus Cohen” de Pasqually.

Vale ressaltar que segundo o que é passado sobre a história da organização estruturada com a alcunha de Ordem Martinista, o único legado de Saint Martin deixado para seus amigos se tratava de uma iniciação simbólica em forma de benção, uma sagração resumida em um ato singelo mas poderoso, que astralmente conferia aos abençoados uma fortificação na vontade para assim alcançar a comunhão. Tal benção, não menos importante que algumas cerimônias dotadas de artifícios e paramentos, se resumia em apenas alguns toques, pontos, e duas letras. Foi graças a esse poderoso e tão singelo legado que o que conhecemos por Martinismo Moderno pôde surgir e se reformular. Tais como os ensinamentos dos Cohen, nos escritos de Saint Martin podemos encontrar peculiaridades que se enquadram em interpretações sob a ótica da Cabala, Cristianismo Primitivo e até mesmo do Gnosticismo.

II.3.  WILLERMORZISMO
O Willermorzismo é a vertente baseada nos postulados do discípulo de Pasqually, Jean Baptiste Willermoz (1730-1824), que por sua vez chegou a ser um dos membros do alto conselho dos “Elus Cohen”. Sua obra “O Homem-Deus” é tida por alguns estudiosos como uma das teses manifestas por sua condição de “Real Cruz”, inspirado pelo contato sutil com “la Chose". De forma semelhante atribuem tal importância à obra “Dos Erros e da Verdade” de Saint Martin. Nos métodos empreendidos pelo sistema de Willermoz encontramos diversas influências, dentre estas temos os pensamentos e sistemas de Pasqually, Joseph de Maistre, Saint German, Cagliostro, Dom Pernety, Salzman, e também de diversos ocultistas, franceses, italianos, alemães, etc.  
O sistema de Willermoz teve maior destaque na Maçonaria. Tornou-se o primeiro Grão-Mestre das Lojas Regulares de Lyon, foi o estruturador e criador do Rito Escocês Retificado, estabelecido tendo como grande influencia três significativas vertentes: o antigo Rito de Heredom; os postulados do Rito da Estrita Observância Templária (de onde veio a surgir os Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa, por meio da convenção celebrada em Wilhelmsbad em 1782); e o próprio sistema difundido pelo seu mestre Pasqually. 
Uma história curiosa que é levantada por alguns, é que Leon Hyppolite Denizart Rivail, conhecido popularmente por Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita, supostamente foi membro da Grande Loja Escocesa de Paris, mas que antes teria recebido as “Luzes” da iniciação em uma loja de Lyon, na qual tinha como Grão Mestre Willermoz. Já a escritora Mme. Calude Varèze, em sua obra “Os Grandes Iluminados” (Paris,1948) vai um pouco mais além e diz que Kardec teria sido iniciado aos Elus Cohen por Willermoz. Por mais que essas suposições não passem de teorias, tal não isenta a possibilidade de que tenha havido um encontro entre Kardec e Willermorz.

II.4.  PAPUSIANISMO
Tal sistema é pouco referenciado pelo termo de Papusianismo, tendo em vista que seu método se baseia em um conglomerado de influências que buscam, por meio do casamento harmônico entre a Teurgia operativa - advinda da Elus Cohen de Pasqually - e a prática da Via do Coração - via benção/sagração dos iniciados por Saint Martin, despertar a consciência do ser rumo ao que nos postulados do Martinismo é chamado de “Reintegração”. Tal linha de atuação é vista como o “Martinismo Moderno”, sendo que o mesmo tem como herança iniciática as duas correntes principais citadas anteriormente e algumas outras correntes de influência filosófica e intelectual. A expressão Papusianismo é usada em alusão à figura do mestre Dr. Gerard Encausse (1875-1916), mais conhecido nos meios ocultistas pelo pseudônimo de Papus, um célebre médico, químico, alopata, homeopata, taumaturgo, astrólogo, quiromante, maçom, etc.

Papus foi o primeiro Soberano Grande Mestre da Ordem Martinista, de 1888 até a sua morte em 1916, tendo recebido em 1882 a livre iniciação de um senhor chamado Henri Delaage (que teria sido um membro do Conselho Supremo original da Sociedade dos Íntimos de Saint Martin, e que teria falecido após conferir-lhe as chaves da iniciação). Ao travar contato com outros supostamente detentores da mesma linhagem, dentre eles Pierre Augustin Chaboseau, o Dr. Encausse resolveu fundar uma Ordem Iniciática, que seria uma reestruturação da tradição de Louis Claude de Saint-Martin utilizando em sua homenagem a expressão “Martinismo”.
Vale salientar que, alguns estudiosos defendem que o termo Martinismo foi pela primeira vez citado e utilizado por Papus e Chaboseau, doravante muito antes encontramos tal nomenclatura e referência nas obras de Eliphas Levi (Dogma e Ritual de Alta Magia; e História da Magia), e na obra Zanoni de Sir Edward Bulwer Lytton. 

O sistema martinista moderno estabelecido por Papus alegava para si uma corrente iniciática tradicional fortificada por três iniciações recebidas pelo Dr. Encausse, sendo a primeira dada pelo Sr. Delaage, a segunda para fortifica e sanar o vácuo da árvore inciática de Delaage, que era um mistério, foi dada por Chabosea, e a terceira dada por Gregory Otthovich von Mebes no Soberano Capítulo Apolônio de Thiana de São Petesburgo - Rússia (entre os anos de 1904/1905). 

      Portanto o sistema Martinista/Papusiano, como dito anteriormente, é baseado em duas cadeias iniciáticas principais: Elus Cohen; a Sociedade dos Íntimos de Saint Martin; e também influenciada intelectual e filosoficamente por meio dos escritos e ensinamentos de Eliphas Levi, Saint-Yves d´Alveydre, Fabre d´Olivet, Louis Lucas, e o mestre Philippe de Lyon - este último, tanto de forma espiritual como devocional. Para uma melhor dinâmica e funcionamento, a ordem adotou posturas de caráter organizacional (com parâmetros, instrumentos, sinais, toques, e ferramentas) semelhantes aos que eram praticados e utilizados por ordens como a Maçonaria e a Rosa+Cruz.

A ordem Martinista de Papus é uma organização que desde sua estruturação pretende trabalhar as duas vias, a chamada senda Cardíaca como foco, e a Theurgica como secundaria e fortificadora das intenções sinceras de seus adeptos. Vale salientar que, dentre as ordens martinistas pós Papus, em exceção às demais existentes, a única que diz ter retirado de sua metodologia o conteúdo operativo Theurgico foi a Tradicional Ordem Martinista - TOM, mantida administrativamente pela Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz - AMORC. Enfim, o que conhecemos como martinismo moderno só nos foi legado graças ao empreendedorismo iniciático de Papus e de seus continuadores, ardorosos cavaleiros do Martinismo.

III. O QUE É ESTUDADO NO MARTINISMO MODERNO?
O presente conteúdo se trata de um enxerto do livro “ABC do Ocultismo, de Papus”. Retirado da tradução da edição da Sociedade das Ciências Antigas (SCA) publicada pela Editora Martins Fontes. 
Para o martinista, é inútil demorar-se sobre o começo dos estudos psíquicos. Enquanto os homens da ciência ou os chamados espíritos "positivos" que se iniciam nos estudos do Ocultismo passam a maior parte de seu tempo tentando saber se os fenômenos de magnetismo e mediunidade são exatos, o martinista considera isso como dado.
Deixa aos outros, portanto, essas discussões infantis sobre a boa fé dos médiuns e sobre o adormecimento real dos sujeitos: ocupa-se com problemas mais elevados. O que os martinistas precisam é, primeiro, uma ideia geral do Ocultismo, em suas duas principais tradições, a do Ocidente, ou cabalística, e a do Oriente, ou sânscrita, ambas, aliás, oriundas do antigo Egito.
A seguir, precisam de ferramentas positivas para investigar as ciências antigas, de modo que possam verificar os nomes próprios e as palavras sagradas empregadas. Essas ferramentas são as línguas sagradas da Antiguidade ou, antes, seus primeiros elementos, para poder verificar cada termo em um dicionário. O martinista deverá, portanto, estudar três alfabetos:

1.           o alfabeto hebreu;
2.           o alfabeto sânscrito (devânagari);
3.           o alfabeto egípcio.

Uma vez de posse desses instrumentos, deverá aplicá-los ao estudo da Cabala e do Hermetismo, depois ao estudo do Simbolismo e da Franco-maçonaria em seus diversos ritos. Aí então o martinista estará em condição de aplicar seus conhecimentos, agindo no plano invisível. O Misticismo, a Teurgia e a Psicurgia deverão atrair particularmente sua atenção. Os livros não são mais do que instrumentos destinados a dirigir a meditação cerebral e preparar a digestão e a assimilação intelectuais.
A seguir, damos um modelo do ciclo de estudos, que poderá ser modificado por cada estudante e servirá de guia geral. Cada ciclo pode compreender um mês, de modo que os estudos completos podem ser realizados em dezoito meses. É claro que esse ciclo pode ser aumentado ou diminuído pelo estudante, conforme sua rapidez de compreensão ou seus estudos anteriores.




I.
1.           História das raças humanas, tradições, etc.
2.          Teoria geral e Filosofia (Saint-Martin, Saint-Yves d'Alveydre, etc.).
3.           Uma língua sacra: hebreu.
4.           Psicurgia (primeiros elementos práticos).
II.
1.           História e simbolismo (Sociedades secretas e Maçonaria).
2.           A Cabala.
3.           Uma língua sacra: o sânscrito.
4.           A Magia e as adaptações (Hipnotismo, Magnetismo, Orações).
III.
1.           História da Alquimia e da Rosa-Cruz (Martinismo).
2.           As religiões do Oriente: Budismo, Bramanismo e Taoísmo.
3.           Uma língua sacra: o egípcio.
4.   O Espiritismo: sua transformação desde a Antiguidade; sua adaptação.
IV.
1.           Os Cultos e seu esoterismo em todas as religiões.
2.           A antiga iniciação no Egito; a Pirâmide e o Templo.
3.           O Hermetismo; A Alquimia; A Astrologia; O Arqueômetro.
4.    A Maçonaria prática: constituição de um rito; as diversas adaptações sociais.

IV. RECOMENDAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS: 
Freqüentemente encontro irmãos ou irmãs que, por determinados interesses, perguntam sobre quais obras poderiam ter uma noção introdutória ao que é estudado e trabalhado pela filosofia reintegrativa do Martinismo. Nesse sentido, para quem nunca se prontificou à leitura de algo no estilo de Louis Claude de Saint-Martin, Jakob Böehme, Jean-Baptiste Willermoz, Martinez de Pasqually, e até mesmo Eliphas Levi e outros que surgiram influenciados pelo romantismo místico filosófico do final do século XVIII, possivelmente terão algumas dificuldades em entender suas obras.



Aproveitando a deixa, compartilho com os irmãos uma lista de obras que creio serem úteis aos que procuram entender introdutoriamente um mínimo da filosofia martinista e a sua vasta abrangência literária. Deixo claro que o próprio Martinismo evidencia que o verdadeiro caminho para alcançar a Grande Obra encontra-se no próprio homem, e não em livros de papel ou mestres externos. Essa lista trata-se de uma recomendação aos que estão iniciando ou que se interessam pelo Martinismo, filiados ou não a uma linhagem martinista.

     IV.1. LISTA:
1 – Tratado Elementar de Ciência Ocultas (Volumes I e II) – Autor: Papus – Editora: Três; 
2 - O Martinismo: História e Doutrina – Autor: Robert Ambelain – Tradução da Sociedade das Ciências Antigas (disponível em PDF);
3- Martinezismo, Willermozismo, Martinismo e Franco maçonaria – Autor: Papus, – Tradução da Sociedade das Ciências Antigas (disponível em PDF);
4- ABC do Ocultismo – Autor: Papus – Editora: Martins Fontes;
5- Os Arcanos Maiores do Tarô – Autor: G.O. Mebes - Editora: Pensamento;
6 - Introdução ao Pensamento Filosófico de Saint Martin e Jacob Boehme - Autor: Adílio Jorqe Marques – Editora: Sapere;
7- Tratado Elementar de Magia Pratica – Autor Papus - Editora: Pensamento;
8 - Ritual da Ordem Martinista – Autor: Téder - Editora: Incógnito;
9 - Sursum Corda – Autor: Xavier Cuvelier-roy – Editora: AMORC;
10 - Temas de Ocultismo Tradicional – Autor: Sar Percival - Tradução da Sociedade das Ciências Antigas (disponível em PDF);
11 – Zanoni – Autor: Edward Bulwer-Lytton – Aditora: AMORC;
12 - História Filosófica do Gênero Humano – Autor: Antoine Fabre D'Olivet – Editora: Ícone; 
13 - Teodiceia psíquica - Os princípios psíquicos de bem e mal no paradigma junguiano e sua discussão no midrash judaico-cristão de Martines de Pasqually - Autor: Ivan Correa – Editora Incógnito;
________________________
Após a leitura de algumas dessas obras, o estudante já poderá iniciar de forma mais proveitosa um estudo inicial das seguintes obras de Pasqually, Saint Martin, Jakob Böehme, e Willermoz:
Dos Erros e da Verdade – Autor: L.C. Saint-Martin – Editora: AMORC;
O Homem Deus- Autor : J.B. Willermoz – Editora: AMORC; 
Jakob Böhme: O príncipe dos filósofos – Editora: AMORC; 
---------------------O Caminho da Iluminação - Attar Editorial;
Martines de Pasqually - Tratado da Reintegração dos Seres Criados.
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OBS* A seqüência de leitura dos livros fica ao critério de cada um. 

V. PERSONALIDADES DE CARÁTER PÚBLICO QUE SUPOSTAMENTE TIVERAM LIGAÇÃO COM A TRADIÇÃO MARTINISTA:

Jacques Cazotte - Escritor e filosofo francês (1719 – 1792)










Honoré de Balzac – Escritor francês (1799 – 1850) 
Alexandre Dumas - Escritor francês (1802 – 1870)


Victor Hugo - Escritor francês (1802 – 1885)

Claude Debussy - Músico e compositor francês (1862 – 1818)
Octave Denis Victor Guillonnet – Celebre Pintor francês (1872 – 1967)
Nikolái Alieksándrovich Románov, (Nikoláu II) - Czar da Rússia (1869 – 1918)
Vitória Alice Helena Luísa Beatriz de Hesse (Alexandra Románov) - Czarina da Rússia (1872 – 19180)

Angelo Giuseppe Roncalli - Papa João XXIII - (1881 - 1963)


VI. REFERÊNCIAS
AMBELAIN, Robert. O Martinismo: História e Doutrina. Tradução da Sociedade das Ciências Antigas (disponível em PDF);
FRÈRE,Jean-Claude. Vida e mistérios dos Rosa+cruzes. Ed. Pensamento;
LEVI, Eliphas. Dogma e Ritual da Alta Magia. Ed. Pensamento;
___________História da Magia. Ed. Pensamento;
___________Os Paradoxos da Sabedoria Oculta. Ed. Pensamento;
LYTTON, Edward Bulwer. Zanoni. Ed. AMORC;
PAPUS. Tratado Elementar de Ciências Ocultas. vol. I & II. Ed. Três;
______Tratado Elementar de Magia Pratica. Ed.Pensamento;
______Martinesismo, Willermosismo, Martinismo e Franco Maçonaria. Trad. S.C.A;
PLANETA Nº 24, Revista. O mago das ciências ocultas. Ed. Três;
SABLÈ, Erick. Dicionário dos Rosa-cruzes. Ed. Madras;
TELES, Fídias. Estudos de Parapsicologia. Ed. Berthier.

Hermanubis  Martinista - http://www.hermanubis.com.br
Sociedade das Ciências Antigas - http://www.sca.org.br
  






terça-feira, 12 de março de 2013

VIAGEM POR UM REINO FABULOSO




VIAGEM POR UM REINO FABULOSO 

por
Adriano Soares

Miríades em constantes vibrações manifestam-se em escalas que vão alem da mera percepção humana; tais Seres de natureza e formas diversas compoem um meio ao qual também estamos inseridos. Alguns assemelham-se a manchas de variadas cores, vórtices de luz colorida em sentidos e movimentos diversos, outros lembram uma amálgama entre animais e insetos de várias espécies, ou até mesmo com aspectos humanóides animalescos, aludindo assim à ideia de quimera imaginada dentre aqueles que conhecem os mitos alquímicos. Podemos ver também nesse meio, seres que fogem a uma mensuração alegórica, e outros que lembram nossos vivos que se foram, e que segundo alguns identificam-se como remanescentes da vida terrestre ou de outros planos de existência, que estão habitando o que para muitos é visto como o além-mundo. 

Curiosa região, onde os objetos ou lugares que ali se encontram não são meramente contidos em suas aparentes três dimensões espaciais, ou até mesmo além das possibilidades expostas por renomados cientistas (dentre os pressupostos defendidos pelo Sr. Michio Kaku e sua teoria de campos de corda), sim, os objetos, seres e sentimentos que encontramos nesse reino são envoltos em uma luminosidade viva, saborosa e de cores fortes, e até quase indescritível devido à complexidade de expormos o sentir simbólico e arquetípico por meio de palavras. Lugar anacrônico, que em certos níves nos colocam em vias de acesso ao estado de atemporalidade, onde os vivos de outrora se encontram com os vivos de hoje e do amanhã, ou mesmo em tal meio trava-se contado com o que já não mais existe, que continua a existir. Nesse local identificamos as muitas casas das ideias coletivas, sustentadas pelo amor ou mesmo pelo ódio, de todos que em corpo se fazem uma única intenção autônoma, chamada pelo antigos de Egrégoro(a), os santuários potencializados de muitos que se revestem de suas influências para forjar armaduras de resistência aos eflúvios da turba primitiva e voraz da essência vivificante e caótica deste plano. 

Tal reino é o antro do Dragão Cachorro que auxilia aos buscadores desejosos a fazer com que o Leão devore o Sol; local misterioso, terreno de atuação dos que levam os títulos de Mestres, Demônios, Gênios, Anjos, Elementais e Encantados. Um complexo assustador e fascinante, que nos permeia sem que tenhamos noção por parte de nossos sentidos objetivos e limitados. 

"Essas diferentes regiões da natureza não estão, pois, em caso algum, separadas no espaço, mas existem em redor e perto de nós, de tal forma que, para vê-las ou estudá-las, não precisamos, absolutamente, deslocarmo-nos no espaço; basta-nos despertar nossos sentidos para percebê-las." - Charles W. Leadbeater - O Homem Visível e Invisível;

Aqueles cuja capacidade aflorada projetam-se em estado consciente por tal reino, principalmente os que não se encontram apoiados pela LVX da “Sabedoria”, da “Força” e da “Beleza” correm o risco, pela exposição, de serem reconhecidos pelos habitantes naturais desse plano, que por sua vez, se inclinarão ao ímpeto instintivo de suas naturezas a se impelirem sobre o viajante, e dele usufruir por mérito explorativo ou barganha dos tesouros almejados que alimentam suas primitivas e também magnânimas formas de atuação e existência. Antes, é recomendado ao viajante que se revista com sua armadura ou traje de proteção para tamanha e imprevisível aventura, para que com isso não venha a atrelar ao seu constituinte anímico miasmas vampíricos ou semelhantes. 

Por enquanto, para finalizar, eis o que os mestres simbólicos de outrora concluíram sobre a essência que constitui esse misterioso plano: 

“Eis o Agente supremo das obras de magnetismo e de Teurgia, sendo ser multiforme personificado pela serpente da bíblia.”Stanislas de Guaita- No Umbral dos Mistérios; 


“O grande perigo do manejo da Luz Astral é que o princípio inteligente que habita o centro dessa força é um ser de origem divina, porém revoltado contra seu centro de criação.” ... 

“Não estando acobertado por uma proteção vinda do centro verbal, sereis rapidamente arrastados pela força setenária, e como aconteceu outrora com nosso principio comum, Adão, vossa imaginação vos fará crer que a vontade é mais forte do que as forças divinas, sereis mergulhados nas trevas da magia e da inversão espiritual.” Papus – Abc do Ocultismo, Quinta Parte, As forças invisíveis da Natureza, Pág. 323, 3º Parágrafo em diante; 


Tem havido uma infinita confusão de nomes para expressar uma única e mesma coisa. O cão dos antigos, o sagrado fogo de Zoroastro,...o fogo de Hermes...o Ptah egípcio, ou Ra,...as línguas de fogo pentecostais; a sarça ardente de Moisés; os vapores do oráculo de Delfus; a luz sideral dos Rosa-Cruzes; o AKASHA dos adeptos hindus, a Luz Astral de Eliphas Levi...são apenas nomes diversos para inúmeras manifestações diferentes, ou efeitos da mesma misteriosa causa que tudo penetra.” Helana P. Blavatsky – Isis sem Véu, Volume I – Ciência, Cap. V, o Éter ou Luz Astral, pág. 202; 


Os antigos chamavam-no Caos; Platão e os pitagóricos designaram-no como a Alma do Mundo.”Helana P. Blavatsky – Isis sem Véu, Volume I – Ciência, Cap. V, o Éter ou Luz Astral, pág. 205; 


A Luz Astral é o sedutor universal, figurado pela serpente do gêneses. Este agente sutil, sempre ativo, sempre luxuriante de seiva, sempre florido de sonhos sedutores e inebriantes imagens; esta força cega por si mesma e subordinada a todas as vontades, quer para o bem quer para o mal”. (...) 

“De algum modo indiferente por si mesma, ela serve para o bem como para o mal; ela leva a luz e propaga as trevas; pode-se chama-la igualmente Lúcifer e Lucífugo: é uma serpente, mas pode pertencer aos tormentos do inferno como as oferendas de incenso prometidas ao céu. Para apoderar-se dela, é preciso, como a mulher predestinada, por o pé sobre sua cabeça.”Eliphas Levi – Dogma e Ritual da Alta Magia, Dogma, Cap. VI, Pág. 119 a 120; 


“Esta figura de linguagem cabalística, não obstante a sua estranha fraseologia, é precisamente a mesma que Jesus utilizava, em sua mente ela não poderia ter outro significado que não aquele atribuído pelos Gnósticos e pelos cabalistas. Mas tarde os teólogos cristãos interpretaram-na de modo diferente, e para eles ela se tornou a doutrina do Inferno. Literalmente ela significa simplesmente o que diz – A Luz Astral, ou o gerador e destruidor de todas as formas.” - Helana P. Blavatsky – Isis sem Véu, Volume I – Ciência, Cap. V, o Éter ou Luz Astral, pág. 211;













quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

FORMALIZAÇÃO IDEOLÓGICA............




....nas crenças e limites da Espiritualidade, da Ciência e do Ateísmo. Em caos e ordem, relatividade de um todo.







Por: Irm.: ASNA


O dever nada mais é, na sua origem, do que o reflexo do Universo no átomo - Pierre Teilhard de Chardin.



Introdução
O texto que se segue é de sentido pessoal, apesar ter como influências varias referencias, não faz partidarismo às ideologias aqui citadas, a não ser da sua visão a respeito da significante importância das diversidades ideológicas.


Os seguintes escritos intencionam expor criticas, construir, e desconstruir Ideias. Embasados na tese de que a natureza humana, subjetivamente, esta naturalmente familiarizada com os processos externos e internos de seu próprio meio, e motivada/alimentada por uma força primitiva que filtra-se e se condessa em uma estrutura impulsiva de ações e reações a nível da psique, na qual especificamente nesse texto, denominamos de Formalização Ideológica-F.I.


Tendo em vista ou não essa Formalização, o autor acredita que o necessário é o uso construtivo de valores aos quais ainda aderimos ou ao menos citamos. Tais como o respeito, a tolerância, e o tão misterioso e incompreendido amor universal. Respaldamos aqui também os direitos e deveres vigentes na sociedade da qual integramos. Valores esses, que se estabelecem e transcende até mesmo seus próprios conceitos.


A Formalização Ideológica Espiritualista, Ateísta, e Social.
A F.I é desencadeadora de ações e reações tanto em perímetros inconscientes como conscientes; É um dos muitos componentes da estrutura mental do Ser. Possivelmente a F.I se faz presente no mundo desde tempos remotos; esse impulsionismo reativo estrutural é a base que leva a organizar e desorganizar as culturas; agente do caos e da ordem; incitador dos processos construtivos e dês-construtivos em todos os aspectos da manifestação da existência humana; e que se expressa visivelmente na espiritualidade, ciência, filosofia, e na quebra cíclica da própria ideologia formalizada.


Encontramos tais evidencias quando uma parcela significante das bases científicas defende que a religião e a espiritualidade são pura crença e fé em algo não palpável; e que a existência movimento e o curso da natureza é resultado de fatores físicos e químicos que se enquadram em uma naturalidade que não convêm diretamente com as ações de uma suposta força criadora tida por divina identificada por deus. Já a própria ciência se divide em uma variável gama de ramificações em que muitas vezes se contradizem a respeito de suas pesquisas. Eis seus naturais limites, possivelmente herdados das bases da filosofia de outrora, dos pré-socráticos, neoplatônicos, etc. No montante ideológico científico encontraremos teoria do Big Bang; A física pela ótica de Newton; quântica; teoria das Cordas; relatividade exposta por Einstein; a não-relatividade por parte de seus questionadores; e até mesmo buracos de minhoca que são posto em duvidas pelo seu próprio descobridor. Também pode-se disser que a F.I. é a principal formadora do dogmatismo, comumente encontrado nas massas e minorias.


Para melhor expor tal tese, tomemos por exemplo, três meios/grupos distintos que compõem a quase totalidade do gênero ideológico social humano, e que são sujeitos de seus dogmas filhos da Formalização Ideológica:


· Espiritualistas;
· Científicos;
· Ateístas;


Através da aparente similaridade em relação a Formalização Ideológica, podemos encontrar outro possível e significante aspecto, de que a ciência e a espiritualidade juntamente com o ateísmo são análogas, não idênticas, mas com causas motivadoras em comum. As mesmas são movidas por uma necessidade em algo até agora não solucionado pela razão humana, em que as levam a uma infinita busca por um futuro que não chega a um presente. Tendo em evidencias diferenças que caracterizam umas das outras. Por exemplo:


A Espiritualidade, em seu cernem, tendo por referências antropológicas, e demais, não se refere necessariamente a crenças cegas e irracionais, mas sim em uma fé alimentada por experiências e também pesquisas constantes feitas através dos processos psicossociais do ser humano e das analogias que permeiam o seu meio. Uma analise profunda, introspectiva sobre o microcosmo homem (Criatura), o macrocosmo universo (Natureza) e o arquétipo de algo divino que seria o mistério motivador dessas conjecturações (Creador). Se dentro dessa configuração ideológica da espiritualidade existem divagações com nexos duvidosos ou mesmo fantasiosos, talvez seja somente uma contraparte natural da própria formatação existencial estabelecida pelo homem em que muitos denomina de dualidade; Isso dentro de nossas possibilidades relativamente existe por nosso consentimento, no caso, a dualidade que se manifesta perante nossa cadeia existencial é fruto de nossa própria essência. A necessidade de um dois para sabermos o que é o um; ou de um mal para termos uma noção do bem, ou do complexo para a obviedade do simples.


A Ciência por sua vez, procura através das configurações resultantes da problematização das variáveis do pensar e dos limites estabelecidos pela razão, solucionar algo ou ir alem das barreiras impostas por suas próprias questões; Achar a chave que abre as portas de todas as possibilidades, não sei se seria demais crer que as pesquisas feitas pela convencional ciência acadêmica é voltada para a busca do estado de super homem; mas, ao menos encontramos em suas empreitadas a visível impressão de que a mesma intenciona por a prova a existência de um todo, de sua organização e de seus porquês, através de uma racionalidade, descartando qualquer teoria que meramente se justifique no plano das idéias. Essa formalização ideológica estabelecida é motivada por uma demanda de solucionar o mistério da vida, da existência. Talvez, ou não, quando essa utópica solução for encontrada o ser humano pare de pensar, criar, sentir, e existir.


O Ateísmo, em contextos variados sustenta a Crença (termo contraditório para sua própria natureza) na não existência de um principio divino creador, ou força mística que gerou a tudo; levando-nos em determinadas situações a pensar que o mesmo é um aspecto dual da credlogia e do sectarismo espiritualista, apoiado pelas facetas disformes de varias formalizações cientificas. Mesmo assim, não é descartada sua razão de ser, da mesma forma que as demais citadas (Espiritualidade, e Ciência); todas têm sua funcionalidade e compreensão na cadeia existencial variada da humanidade; são complexos que se enquadram na estrutura mental do ser, e que manifestam-se de acordo com fatores internos e externos; a ligação do micro com o macro, da pluralidade que expressa a unidade.


Com essa gama de Complexos, sugerimos a seguinte pergunta para foco da problematização exposta: O que importa para você afinal de contas?


E para melhor se entender o tema em questão, sugerimos a nossa própria ideologia formalizada: Vislumbramos que o estado das coisas (no humano e universal) e sua aparente dança cósmica não necessita de um sentido ou razão de existir; mas o ser humano enquanto produto (e produtor) desse meio, identificando-se com a alcunha de ser social e pensante, cria, ou melhor, modela esses terrenos, para uma satisfação e auto afirmação de sua estrutura existencial, que diante de tudo pode aparentemente se destacar por apresentar a mínima noção de raciocínio.


Em meios a essas tantas verdades não verossímeis, se apresenta a marcante colocação de Shekspeare:


“Entre o céu e a terra há muitas coisas das quais não se sabe nossa vã filosofia”(Hamlet – Dialogo entre Hamlet e Horácio).


Concluindo, fazemos apologia à importância e pratica do respeito a essa diversidade, seja ela complexa ou simplista, alienativa ou libertaria; cabe a cada um o papel de seu próprio despertar, e a nós o dever talvez de mostrar as possibilidades ao alcance, através de muitos caminhos que de uma forma ou de outra compreende a formalização ideológica. Independente de nosso consentimento, tendo em evidencias essas variáveis, nosso ser e a suposta realidade do coletivo a unidade, produz/cria, e manifesta: doenças, problemas, complexos, soluções, mestres, maldiçoes, salvações, perdições, questionamentos, bem, mal, arquétipos, deuses, ciências, e tantas outras coisas que possivelmente ou não, integram forças que permeiam um todo.


EX DEO NACIMUR , IN JESU MORIMUR , PER SPIRITUM SANCTUM REVIVISCIMUS



PAX ET LVX

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O CRISTIANISMO ESSENCIAL - I




Por: Irm.: A.S.N.A


Debruçando-nos sobre a temática do Cristianismo em contraste com as instituições que alegam autoridade sobre sua natureza, creio ser significante importância a analise de um texto celebre, de autoria de um dos maiores místicos que trabalhou em prol de um Cristianismo Essencial transcendente a qualquer mensuração profanamente humana concebida por pessoas que assumiam (assumem) títulos de sacerdotes, doutores, padres, pastores, etc.

Essa essência cristã a qual nos referimos é algo incontido por qualquer casca dogmática sectária que se apoie em seu termo, tendo em vista não ver como se apoiar em sua coluna espiritual, a real Trindade. Cogitações tão falhas, apenas concebidas para aproximar o profano humano do sagrado , ou melhor, o que caiu rumo ao berço de onde advêm. Abrindo caminho para o texto que se segue, supomos que o mesmo irá evidenciar algumas dentre as muitas diferenças entre a Essência Cristã e as fantasias institucionalizadas que na maioria dos casos profanam a sagrada Força do Creador.

Desejamo-lhes uma proveitosa leitura.

PAX ET LVX

O CRISTIANISMO E O CATOLICISMO OU IGREJISMO

(Extraído do Livro: O Ministério do Homem Espírito, de Louis Claude de Saint Martin)

"A principal reprovação que apresento contra eles é que a cada passo, confundem Cristianismo com a Igreja (Catolicismo). Vejo frequentemente, célebres mestres literários atribuírem à religião obras de famosos Bispos que muitas vezes se desviam enormemente do espírito do Cristianismo. Vejo outros num momento, sustentarem a necessidade dos mistérios (sacramentos, etc.) em outro, tentarem explicá-los afirmando, mais uma vez que a demonstração de Tertuliano sobre a trindade pode ser compreendida até pelos mais simples. Vejo como se vangloriam da influência do Cristianismo na poesia, ainda que concordem em alguns casos, que a poesia se alimente do erro! Vejo como se desorientam com relação aos números rejeitando, com razão, as especulações fúteis que emergiram do abuso desta ciência, afirmando que o três não é engendrado, que segundo a expressão atribuída à Pitágoras, este número deve existir sem uma mãe, enquanto que a geração de nenhum número é mais evidente que a geração do número três; o dois é claramente sua mãe, em todas as ordens, natural, intelectual ou Divina; a diferença é que na ordem natural, esta mãe engendra a corrupção, assim como o pecado engendrou a morte; na ordem intelectual, engendra variabilidade, como podemos observar pela instabilidade de nossos pensamentos; na ordem Divina, engendra a fixidez, com é reconhecida na Unidade Universal. Em resumo, apesar do brilhante efeito que suas obras possam produzir, não consigo encontrar aquele alimento substancial que a inteligência exige, a saber, o verdadeiro espírito do Cristianismo, encontro, sim, o espírito do Catolicismo. Ora, o verdadeiro Cristianismo é anterior, não só ao Catolicismo, mas ao próprio nome Cristianismo que não é encontrado nos Evangelhos, embora o espírito deste nome esteja bem claramente expressado e consiste, de acordo com João (I.12) no poder de se tornarem filhos de Deus ; o espírito dos filhos de Deus, ou dos Apóstolos de Cristo, que acreditaram nele, é mostrado, segundo Marcos (XVI. 20) pelo Senhor agindo com eles e confirmando a Palavra por meio dos sinais que a acompanhavam.

Neste ponto de vista, estar verdadeiramente no Cristianismo, seria estar unido com o Espírito do Senhor e ter completado ou consumado nossa aliança com Ele.
A este respeito, o verdadeiro caráter do Cristianismo não seria tanto o de se tornar uma religião e sim o de ser um termo e ponto de repouso de todas as religiões e de todos aqueles laboriosos caminhos pelos quais a fé dos homens e suas necessidades de serem purificados de suas manchas, os obrigam a caminhar diariamente. É notável que, em todos os quatro Evangelhos, fundados no Espírito do verdadeiro Cristianismo, a palavra religião não é encontrada nem uma só vez; e nos escritos dos Apóstolos, que completaram o Novo Testamento é encontrada somente cinco vezes. A primeira vez que a palavra religião aparece é em "Atos dos Apóstolos" (XXVI.5 [da versão inglesa; também, Gl.I.13,14]) quando se fala da religião judaica. A segunda vez é em Colossenses (II.18) quando o Apóstolo casualmente condena o culto aos anjos. Na terceira e quarta vez, aparece em São Tiago (I.26,27) onde ele diz simplesmente: "Se alguém pensa ser religioso, mas não refreia a sua língua, antes se engana a si mesmo, saiba que a sua religião é vã", e "A religião pura e sem mácula diante de Deus, nosso Pai, consiste nisto: em assistir os órfãos e as viúvas em suas tribulações e em guardar-se livre da corrupção do mundo"; estes são exemplos em que o Cristianismo parece se inclinar mais à sua sublimidade Divina ou condição de repouso, do que se revestir daquilo que costumamos chamar de religião. Portanto, há diferenças entre Cristianismo e Catolicismo: Cristianismo nada mais é do que o espírito de Jesus Cristo em sua amplitude, depois que este terapeuta Divino escalou todos os passos de sua missão, que teve início com a queda do homem, quando prometeu que a semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente. O Cristianismo é o complemento da pregação de Melchisedek; é a alma do Evangelho; o Cristianismo faz com que as águas vivas, de que as nações têm tanta sede, circulem no Evangelho. O Catolicismo (a Igreja), ao qual pertence o título de religião, é uma espécie de esforço e tentativa de se chegar ao Cristianismo. O Cristianismo é a religião da emancipação e da liberdade, o Catolicismo é apenas o seminário do Cristianismo, a região das regras e disciplina para o neófito. O Cristianismo enche toda a terra com o Espírito de Deus. O Catolicismo enche apenas uma parte do globo embora se intitule universal.

O Cristianismo eleva nossa fé à luminosa região do Verbo Divino e Eterno; O Catolicismo limita esta fé à palavra escrita ou tradição. O Cristianismo nos mostra Deus abertamente, no centro de nosso ser, sem o auxílio de formas e fórmulas. O Catolicismo nos deixa em conflito com nós mesmos, pois quer que encontremos Deus oculto nas cerimônias. O Cristianismo não tem mistérios; esta palavra é repugnante para ele pois, essencialmente, o Cristianismo é a própria evidência, a nitidez universal. O Catolicismo é repleto de mistérios e seu fundamento é velado. A esfinge pode ser colocada na entrada dos templos, tendo sido feita pelas mãos dos homens; não pode ser posicionada no coração, que é a real entrada do Cristianismo. O Cristianismo é a fruta da árvore, enquanto que o Catolicismo só pode ser o adubo. O Cristianismo não faz nem monastérios e nem eremitas, porque não pode se isolar mais do que pode a luz do sol e porque, como o sol, procura brilhar em todo lugar. O Catolicismo povoou os desertos com solitários e encheu as cidades com comunidades religiosas; no primeiro caso, para que pudessem se dedicar com mais facilidade à sua própria salvação, no segundo caso, para apresentar ao mundo corrupto algumas imagens de virtude e piedade a fim de despertá-lo de sua letargia. O Cristianismo não tem secto, já que embarca a unidade e esta sendo única, não pode ser dividida.

O Catolicismo tem presenciado uma multiplicidade de cismas e sectos brotando em seu seio, o que propiciou o reino da divisão ao invés do reino da concórdia; o Catolicismo, mesmo acreditando ocupar o mais alto degrau de pureza, dificilmente encontra dois de seus membros que pensam da mesma forma. O Cristianismo nunca deveria ter realizado as Cruzadas: a cruz invisível que carrega em seu seio não tem outro objetivo senão o alívio e felicidade de todas as criaturas. Foi uma imitação falsa do Cristianismo, para não dizer outra coisa, que inventou as Cruzadas; o Catolicismo a adotou posteriormente: mas, o fanatismo as comandaram: o Jacobinismo as compuseram, a anarquia as dirigiram e o banditismo as executaram.
O Cristianismo só declarou guerra contra o pecado; O Catolicismo declarou guerra contra os homens. O Cristianismo só marcha pela experiência segura e contínua; O Catolicismo marcha apenas pela autoridade e pelas instituições ; O Cristianismo é a lei da fé; O Catolicismo é a fé da lei. O Cristianismo é a completa instalação da alma do homem no rangue de ministros ou servos do Senhor; O Catolicismo limita o homem ao cuidado de sua própria saúde espiritual. O Cristianismo contínuo une o homem a Deus, já que são, por natureza, dois seres inseparáveis; o Catolicismo, ainda que use a mesma linguagem, alimenta o homem unicamente com meras formas e isto faz com que ele perca de vista o seu real objetivo e adquira muitos hábitos que nem sempre contribuem para seu benefício ou para um real progresso.

O Cristianismo baseia-se no Verbo oral, não escrito, o Catolicismo baseia-se no Verbo escrito ou Evangelho em geral e na massa em particular. O Cristianismo é um ativo e perpétuo sacrifício espiritual e Divino, tanto da alma de Jesus Cristo como da nossa própria alma; o Catolicismo que se baseia particularmente na massa, apresenta unicamente um sacrifício ostensivo do corpo e do sangue do Redentor. O Cristianismo pode ser composto apenas pela raça santa do homem primitivo, a verdadeira raça sacerdotal. O Catolicismo, baseando-se particularmente na massa, foi como a última Páscoa do Cristo, um mero degrau iniciador deste sacerdócio, pois quando Ele disse a seus discípulos "Façam isto em minha memória" eles já haviam recebido o poder de expulsar os espíritos malignos, curar doentes e ressuscitar os mortos; mas ainda não tinham recebido o que era mais importante para o cumprimento do sacerdócio já que a consagração de um padre consiste na transmissão do Espírito Santo e o Espírito Santo ainda não havia sido dado porque o Redentor ainda não havia sido glorificado (João VII.39).
O Cristianismo se torna uma contínua luz crescente a partir do momento em que a alma do homem é nele admitida; o Catolicismo que fez da Santa Ceia o ponto mais alto e sublime de seu culto, permitiu que um véu fosse jogado sobre esta cerimônia introduzindo até mesmo, como disse anteriormente, na liturgia da missa, as palavras Mysterium Fidei, que não estão no evangelho e são contrárias à luz universal do Cristianismo. O Cristianismo pertence à eternidade; o Catolicismo pertence ao tempo. O Cristianismo é o termo; o Catolicismo, com toda a majestosa imposição de suas solenidades e a sagrada grandiosidade de suas orações é apenas o meio. Finalmente, é possível que haja muitos católicos, que ainda, sejam incapazes de julgar o que é o Cristianismo; mas é impossível para um verdadeiro cristão não ser capaz de julgar o que o Catolicismo é e o que deve ser." - (Louis Claude de Saint Martin; O Ministério do Homem Espírito).


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REFERÊNCIAS:

Saint Martin,
Louis-claude de – O MINISTÉRIO DO HOMEM ESPIRITO, Ed. AMORC, ano 1994;

S.C.A: http://www.sca.org.br/artigos/Cristianismo_e_Catolicismo.pdf.